Autor: Nilson Lattari

Crônicas

Sal grosso e crendice

Esta crônica explora a fascinante fronteira entre a razão e a superstição, tratando as crendices não como ignorância, mas como uma manifestação cultural da esperança e do medo humano. O texto percorre desde a fé em planos superiores até os rituais lúdicos do cotidiano — como o sal grosso, o pular de ondas e os amuletos de sorte — revelando que, no fundo, a crendice é uma tentativa de materializar o invisível para garantir a segurança do espírito. Seja na proteção materna das rezas antigas ou nas manias urbanas dos céticos, o autor nos mostra que o folclore pessoal é um ingrediente essencial que tempera a jornada humana com mistério e conforto.

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Crônicas

Movimentos sutis

Nesta crônica, a natureza é apresentada como uma mestra da resiliência e da estratégia silenciosa. O autor utiliza metáforas poderosas — como a garça que risca a água, o bambu que se curva ao vento e a água que arredonda a pedra — para demonstrar que a verdadeira força não reside na rigidez ou no confronto direto, mas na persistência suave e na capacidade de adaptação. O texto reflete sobre a condição humana, sugerindo que as mudanças mais significativas e a quebra de barreiras (simbolizadas pelo primeiro beijo) ocorrem através de movimentos quase invisíveis. É um convite à contemplação filosófica sobre como a vida nos molda e como a “fraqueza” aparente pode, na verdade, ser a maior ferramenta de sobrevivência e transformação.

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Crônicas

Sementes da memória

A crônica apresenta a memória como uma “vida campestre” cultivada no interior de cada indivíduo para frear a urgência do mundo contemporâneo. Ao comparar lembranças a sementes, o autor destaca que a felicidade passada é o estofo que nos protege da ficção do futuro. Cultivar o que é alegre e “limpar as ervas daninhas” dos arrependimentos é o trabalho do bom agricultor da mente, transformando a nostalgia em uma ferramenta de paz e renovação vital.

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Textos en español

Cuando el amor pasa al lado

El texto reflexiona sobre la naturaleza del amor cuando aparece de forma inesperada y genuina. Lejos de ser una estrategia de conquista o un cálculo de costo-beneficio, el amor se manifiesta en la timidez, el tartamudeo del corazón y los gestos simples del cotidiano, como una invitación al cine o un paseo por la plaza. El autor destaca que el amor se ama a sí mismo y es único, naciendo de un viento que empuja a los amantes hacia un encuentro donde la esperanza vence al miedo al vacío.

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Crônicas

Final dos tempos

A crônica explora a natureza efêmera do tempo e as diversas faces do “fim”, desde a obsolescência de objetos até a finitude da vida individual. O autor argumenta que, embora o fim seja uma fatalidade real, o avanço em direção ao desconhecido é o que permite a criação de novas vidas e a preservação do conhecimento. Ao encarar nossos problemas com coragem e cuidar da “maquinaria” que é o corpo e a mente, exercemos a capacidade de adiar o nosso próprio final, transformando a transitoriedade em um motor de desenvolvimento e melhoria pessoal.

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Crônicas

Selo da alma

Nesta crônica filosófica, o autor apresenta o conceito de “Selo da Alma”, uma marca de identificação única e intangível que define a essência e a vocação de cada ser humano. O texto reflete sobre o conflito entre seguir esse propósito vital ou render-se às pressões da sobrevivência, expandindo essa análise para o coletivo: as nações que, mesmo sob domínio, preservam sua soberania interna através de valores inabaláveis. É um convite à ratificação da própria identidade como forma de manter-se intacto perante o mundo.

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Texts in English

Being and seeming

This profound essay explores the tension between essence and appearance, challenging the “theatre of vanities” that defines modern social interaction. Through sharp observations on hypocrisy—such as the contradiction between faith and fear, or moral posturing and ethical shortcuts—the text suggests that “being” has become an act of courage. It concludes that in a world of mirrors, those who refuse to perform are the ones who truly navigate reality, even if it means standing alone outside of the “bubble of iniquities.”

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Crônicas

Ter ou não ídolos?

Nesta crônica, o autor mergulha em uma análise crítica sobre a natureza da idolatria na pós-modernidade. Ele propõe uma distinção vital entre a admiração — um reconhecimento saudável da competência e coragem alheia — e o culto cego, que anula o “eu” em favor de figuras muitas vezes falhas. O texto alerta para a transitoriedade dos ídolos físicos e a ascensão das “ideias-ídolo”, muitas vezes alimentadas por mentiras e soluções simplistas que visam apenas saciar egos e validar preconceitos. Ao final, a reflexão sugere que, em um mundo de decepções rápidas, a idolatria tornou-se um produto descartável, submetido ao “gosto do freguês”.

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Crônicas

Piscar de olhos

A crônica investiga a complexidade do olhar humano, tratando-o como um instrumento de poder, sedução e proteção. Através de metáforas ricas e expressões populares, o texto discorre sobre como um simples “piscar de olhos” pode carregar mil palavras, desde a repreensão materna até o pacto de confiança num negócio. O autor conclui que, embora o olhar seja a nossa bússola externa, é no momento em que os olhos se fecham — na paixão ou na entrega — que o mundo exterior perde sua força e a verdade interna prevalece.

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Crônicas

Mestres do cotidiano

A crônica reflete sobre a maestria oculta na simplicidade daqueles que enfrentam os desafios da vida com criatividade e intuição. Assim como o artesão retira o excesso da madeira para revelar a arte, os mestres do cotidiano filtram prioridades para sobreviver e prosperar no anonimato. O texto exalta a experiência prática como uma forma legítima de conhecimento que permite soluções eficazes onde a teoria muitas vezes falha, transformando a adaptação em uma ferramenta de mudança e evolução pessoal.

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Textos en español

En la búsqueda del conocimiento

La obra analiza cómo la facilidad tecnológica ha transformado el conocimiento en un proceso perezoso, alejando al individuo de la introspección y el sentido crítico. Compara la generación analógica con la digital, advirtiendo sobre los peligros de los “expertos de redes sociales” y la falta de ética que surge al rechazar el cuestionamiento. Propone que el verdadero saber no reside en los buscadores, sino en la capacidad de dudar de uno mismo, cultivar la empatía y volver a las fuentes confiáveis para fortalecer la mente.

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Crônicas

Mundo que ensina

A crônica defende a profissionalização do ensino, combatendo metáforas românticas que muitas vezes mascaram a precariedade salarial e a desvalorização da carreira. O autor argumenta que o professor é um técnico qualificado para transmitir conhecimento, enquanto a educação moral cabe à família. O texto destaca que o sucesso dessa troca aparece no discernimento futuro do aluno, alertando que a falta de aproveitamento acadêmico entrega o indivíduo ao “ensino” rígido e sem revisões do mundo real.

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