Autor: Nilson Lattari

Crônicas

Nossa melhor versão

A crônica questiona se o futuro nos reserva, inevitavelmente, a nossa melhor versão. O autor reflete sobre como as experiências esculpem caminhos distintos: endurecendo alguns através do sofrimento e suavizando outros que viveram sem sobressaltos. Ao final, propõe que as pessoas não mudam essencialmente, mas apenas se aprimoram no que sempre foram, concluindo que a nossa melhor versão reside na autenticidade, na aceitação do outro e na preservação da nossa essência humana.

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Crônicas

Memória desmembrada

A crônica reflete sobre o conceito de “desmembramento” não apenas como uma separação física, mas como as rupturas inevitáveis causadas pelo tempo, pelo progresso e pelas perdas. O autor analisa como a modernização desfigura a história dos lugares, como as famílias se dispersam após a partida dos patriarcas e como a memória é a única força capaz de resistir a essas divisões e adiar o esquecimento final.

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Textos en español

Las líneas de la vida

Esta crónica ofrece una profunda reflexión filosófica sobre el viaje de la vida, contrastando la monotonía de las líneas rectas —vistas como una obsesión por metas fijas que agreden el entorno— con la belleza y el aprendizaje que albergan las curvas. El autor argumenta que son los giros inesperados, los obstáculos y las curvas de las carreteras de montaña los que permiten una verdadera integración con la naturaleza, obligándonos a frenar, adaptarnos y buscar el equilibrio. Al final, curvarse no significa rendirse, sino tener la gracia de un pájaro en el aire para esquivar los muros y descubrir nuevas formas de avanzar hacia nuestros objetivos.

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Opiniões

A arte deve chegar até onde o povo está?

A crônica reflete sobre a célebre frase de Milton Nascimento, questionando o real compromisso social e patriótico de artistas e atletas contemporâneos diante de seus públicos e da cultura do cancelamento. Por meio de memórias pessoais — que vão desde o orgulho ao ver a bandeira brasileira no exterior até lembranças de colégio —, o autor confronta o comportamento de grandes ídolos como Pelé, Zico e Neymar frente a figuras engajadas como Sócrates, Reinaldo e Maradona. O texto conclui questionando se o artista de hoje ainda busca uma conexão genuína com o povo ou se as redes sociais o transformaram em refém de seguidores que buscam apenas o próprio reflexo.

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Texts in English

Sounds of fear

The text explores fear not merely as a negative emotion, but as a vital survival instinct and a psychological force that shapes human behavior. It manifests subtly—through an unfamiliar sound, a shiver down the spine, or an intuition—acting as an early warning system against unexpected danger.

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Crônicas

Prisões Invisíveis

A crônica reflete sobre como a nossa existência é moldada e enclausurada por condicionantes invisíveis, simbolizadas pela constante interrogação do “se”. O autor explora a dualidade dessa dúvida: ao mesmo tempo em que ela pode paralisar e isolar nossos desejos em um futuro imaginário idealizado, ela também atua como a mola propulsora da curiosidade científica e da descoberta. O texto aborda a interferência inevitável do acaso nas conexões humanas, as fragilidades dos acordos amorosos diante da realidade e a nossa submissão moderna à espera digital, concluindo que o peso do “se” só desaparece quando agimos concretamente no presente.

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Crônicas

Memórias na cadeira de balanço

O texto reflete sobre o poder dos gatilhos cotidianos — como músicas, cheiros e caminhos transformados — em nos transportar para o universo da nostalgia. O autor contrasta o conforto passivo de relembrar o passado em uma cadeira de balanço com o ímpeto do aventureiro, que rompe a rotina para explorar o desconhecido. No fim, defende que viver e experimentar o mundo é a única forma de preencher o vazio existencial, transformando o corpo em um navegador carregado de lembranças e novas histórias.

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Textos en español

El mundo impuro

A crônica propõe uma reflexão contundente sobre as noções de “pureza” e “impureza” que a sociedade utiliza para mascarar o preconceito e a desigualdade. O autor contrasta o desejo elitista de um mundo esteticamente perfeito, livre da pobreza visível nas ruas, com a realidade da exclusão social e do acesso desigual a bens universais, como a água potável. O texto argumenta que a verdadeira “inmundicia” não está nos indivíduos marginalizados e privados de educação, mas no ato de ignorá-los e julgá-los. Ao analisar como os mais fortes mascaram suas próprias transgressões éticas sob rótulos sofisticados do mercado de trabalho, a obra conclui que certas “purezas” autoatribuídas revelam mais podridão do que as falhas humanas que tentam condenar.

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Crônicas

A espera interminável

A crônica desconstrói o ditado popular de que “quem espera sempre alcança”, definindo a condição humana como um eterno estado de apreensão diante de um futuro imprevisível e imaginado. O autor defende que, ao traçar estratégias de vida, a espera e a paciência não são posturas passivas, mas circunstâncias cruciais para a sobrevivência e o sucesso. Traçando um paralelo com a evolução humana — onde a apreensão contra predadores nos fortaleceu —, o texto aborda as batalhas modernas pela estabilidade financeira e saúde. A obra conclui que a verdadeira sabedoria reside no compasso da espera, utilizando elementos como o medo do desconhecido e a desconfiança como pausas estratégicas necessárias para organizar a mente, superar obstáculos e evitar o pânico destrutivo.

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Texts in English

Tainted world

A crônica propõe uma reflexão incisiva sobre como a sociedade define os conceitos de “pureza” e “impureza” para mascarar preconceitos e desigualdades econômicas. O autor contrasta o desejo elitista de um mundo esteticamente perfeito — livre da pobreza visível nas ruas — com a dura realidade da exclusão social, exemplificada pelo acesso desigual à água potável. O texto argumenta que a verdadeira “sujeira” não está nos indivíduos marginalizados e privados de educação, mas sim no ato de julgar e excluir o outro. Ao analisar como o mercado e a competição individual justificam transgressões éticas sob rótulos sofisticados, a obra conclui que a essência humana reside em como lidamos com as nossas próprias falhas, alertando que certas “purezas” morais revelam mais podridão do que qualquer ética seletiva.

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Crônicas

Tempo de abreviar

A crônica propõe uma pausa reflexiva diante do ritmo frenético e veloz do mundo contemporâneo. O autor questiona a obsessão moderna pela produtividade, pela alta performance e pelo ganho em escala, processos que nos impõem a necessidade constante de abreviar o tempo, sintetizar a linguagem, encurtar refeições e podar sonhos. Ao priorizar a pressa para alcançar destinos e metas, o indivíduo deixa de contemplar os detalhes das viagens, a arquitetura das cidades e as nuances da própria caminhada. No fim, o texto traz um alerta existencial profundo: de tanto abreviar o tempo para poupá-lo, chega-se ao futuro com a sensação de que a vida passou rápido demais, concluindo que o tempo real não se mede pelo relógio, mas sim pela quantidade de memória e de histórias que somos capazes de guardar.

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Crônicas

Sobre nossos afetos

A crônica propõe uma profunda investigação filosófica sobre o afeto, definindo-o como um sentimento soberano que ignora castas ou estratos sociais, atuando como o verdadeiro antídoto contra a barbárie e a violência. O autor adverte que a ambição e o individualismo do mundo moderno constroem muros que distanciam as relações humanas, sufocando nossa capacidade de compreender as necessidades do outro. Ao resgatar conceitos de justiça, equilíbrio e citar a lógica da violência (em diálogo com Sartre), o texto nos confronta com o nosso próprio egoísmo e com a tendência de esconder os sentimentos por vergonha. No fim, apresenta-se uma escolha ética urgente para o nosso tempo: continuar nos defendendo através do ataque (“lançar a primeira pedra”) ou escolher o acolhimento (“lançar o primeiro abraço”).

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