
Nossa melhor versão
Quando chegamos ao futuro, nós somos a melhor versão de nós mesmos? Deveria ser assim. Afinal, passamos anos e anos por experiências diversas e, no final das contas, deveríamos ser a nossa melhor versão. Com o bojo de experiências vividas, nada mais natural que, com o passar do tempo, nós nos tornemos melhores.
Claro que os seres humanos apresentam diversas facetas em suas personalidades. E cada um segue por caminhos sobre os quais não exerce nenhum controle. Por essas experiências vividas somos atropelados pelas circunstâncias, mudamos nossos conceitos, valores, algumas vezes os retomamos, mas sempre seremos diferentes. Nosso futuro é afetado por nossas ações no passado. Para aqueles que sofreram, ser melhor significa ser mais rígido, mais rude com o ambiente ao redor, muitas vezes deixando uma “inocência” no passado e trocá-la por uma certa maldade em relação aos novos rumos. A vingança por qualquer motivo não será, necessariamente, uma melhoria das nossas performances.
Por outro lado, para aqueles que levaram uma vida sem grandes contratempos, o futuro reserva um horizonte cor-de-rosa, e a tendência seria melhorar e ser mais próximos de uma “perfeição”.
Frequentemente, nos deparamos, no futuro, com o encontro de amigos de infância e juventude, e percebemos que muitos deles “mudaram de lado”. São mais céticos em relação ao mundo, e externam opiniões que não mais convergem com as nossas.
As pessoas mudam?
Essa é uma grande questão que afeta a todos nós. Mudamos ou apenas somos o que sempre somos, agora com mais requinte e melhor apuro dos nossos sentimentos? Prefiro acreditar que as pessoas não mudam; elas, apenas, se tornam mais experientes nas artes de serem o que sempre foram.
Mentes abertas são algo muito difícil de definir. Aqueles que estão abertos ao mundo e sempre vendo que a liberdade é um fato, e que ser livre é dar liberdade ao outro, se contrapõe com aqueles que sempre tiveram um certo ressentimento com o mundo, e colocam “valores” como escudo para não se transformarem – seguem a mesma cartilha e não querem abandonar a zona de conforto das suas ideias. Poderia ser medo diante da realidade, e por esse motivo são reacionários e não veem com bons olhos as mudanças.
O aprimoramento da personalidade passa por um refazimento de ações, atitudes e relacionamentos com os próximos. Reconhecer as próprias falhas passa por um processo de autoavaliação, o que, para alguns, é uma tarefa muito difícil.
Nesse caso, a maturidade é um componente muito valioso. Ser maduro não é envelhecer as ideias, mas aceitá-las como são. E isso não quer dizer que haja um acordo. Porque a melhoria do eu passa pela aceitação da existência do outro, do diferente, de estar de bem com o mundo e vê-lo pela perspectiva de visão ampla, e não por um recorte da realidade para satisfazer o próprio ego.
A nossa melhor versão é ver a história como a sucessão de eventos. Não temos a capacidade de mudá-la, mas a nossa participação não é inexistente. Participamos, muitas vezes, sem saber. Pequenas atitudes de bem com o mundo fazem parte desses eventos. Nossa melhor versão é ser autêntico, crente das suas opiniões e defensor delas, ainda que aberto a modificá-las. Nossa melhor versão é ser humano e não perder essa essência, e partilhar o mundo com os outros.
Origem da foto: Foto de Rishabh Dharmani na Unsplash
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