Autor: Nilson Lattari

Crônicas

A espera interminável

A crônica desconstrói o ditado popular de que “quem espera sempre alcança”, definindo a condição humana como um eterno estado de apreensão diante de um futuro imprevisível e imaginado. O autor defende que, ao traçar estratégias de vida, a espera e a paciência não são posturas passivas, mas circunstâncias cruciais para a sobrevivência e o sucesso. Traçando um paralelo com a evolução humana — onde a apreensão contra predadores nos fortaleceu —, o texto aborda as batalhas modernas pela estabilidade financeira e saúde. A obra conclui que a verdadeira sabedoria reside no compasso da espera, utilizando elementos como o medo do desconhecido e a desconfiança como pausas estratégicas necessárias para organizar a mente, superar obstáculos e evitar o pânico destrutivo.

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Texts in English

Tainted world

A crônica propõe uma reflexão incisiva sobre como a sociedade define os conceitos de “pureza” e “impureza” para mascarar preconceitos e desigualdades econômicas. O autor contrasta o desejo elitista de um mundo esteticamente perfeito — livre da pobreza visível nas ruas — com a dura realidade da exclusão social, exemplificada pelo acesso desigual à água potável. O texto argumenta que a verdadeira “sujeira” não está nos indivíduos marginalizados e privados de educação, mas sim no ato de julgar e excluir o outro. Ao analisar como o mercado e a competição individual justificam transgressões éticas sob rótulos sofisticados, a obra conclui que a essência humana reside em como lidamos com as nossas próprias falhas, alertando que certas “purezas” morais revelam mais podridão do que qualquer ética seletiva.

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Crônicas

Tempo de abreviar

A crônica propõe uma pausa reflexiva diante do ritmo frenético e veloz do mundo contemporâneo. O autor questiona a obsessão moderna pela produtividade, pela alta performance e pelo ganho em escala, processos que nos impõem a necessidade constante de abreviar o tempo, sintetizar a linguagem, encurtar refeições e podar sonhos. Ao priorizar a pressa para alcançar destinos e metas, o indivíduo deixa de contemplar os detalhes das viagens, a arquitetura das cidades e as nuances da própria caminhada. No fim, o texto traz um alerta existencial profundo: de tanto abreviar o tempo para poupá-lo, chega-se ao futuro com a sensação de que a vida passou rápido demais, concluindo que o tempo real não se mede pelo relógio, mas sim pela quantidade de memória e de histórias que somos capazes de guardar.

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Crônicas

Sobre nossos afetos

A crônica propõe uma profunda investigação filosófica sobre o afeto, definindo-o como um sentimento soberano que ignora castas ou estratos sociais, atuando como o verdadeiro antídoto contra a barbárie e a violência. O autor adverte que a ambição e o individualismo do mundo moderno constroem muros que distanciam as relações humanas, sufocando nossa capacidade de compreender as necessidades do outro. Ao resgatar conceitos de justiça, equilíbrio e citar a lógica da violência (em diálogo com Sartre), o texto nos confronta com o nosso próprio egoísmo e com a tendência de esconder os sentimentos por vergonha. No fim, apresenta-se uma escolha ética urgente para o nosso tempo: continuar nos defendendo através do ataque (“lançar a primeira pedra”) ou escolher o acolhimento (“lançar o primeiro abraço”).

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Textos en español

¿Qué pedimos al mundo?

El texto propone una crítica profunda a la obsesión global por la riqueza material y el poder. El autor cuestiona el concepto tradicional de éxito y “abundancia” (lo copioso), argumentando que acumular bienes por puro egoísmo o miedo al futuro laboral —especialmente en la vejez— no garantiza una vida plena. Se examina la paradoja de la desigualdad, donde la riqueza de unos pocos implica la escasez de otros, y se defiende una visión del mundo más equitativa. Finalmente, la obra rescata como verdaderos modelos a seguir a quienes rechazan la competencia voraz y el control sobre los demás, priorizando el disfrute del tiempo propio y el bienestar colectivo sobre la exhibición de posesiones.

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Crônicas

Preço da inutilidade

A crônica propõe uma reflexão profunda sobre o desgaste psicológico e existencial na era digital. O autor contrasta o espelho físico tradicional — que exige uma máscara de otimismo no ambiente profissional — com as telas de computador, que atuam como ferramentas de “copiar e colar” felicidades artificiais. O texto aborda o cansaço não apenas das obrigações diárias, mas um esgotamento com a própria vida de aparências, onde o indivíduo exibe sorrisos enquanto mantém a alma fragmentada. No fim, questiona-se o alto preço cobrado pelas convenções sociais e pela necessidade de estar em evidência nas mídias para evitar o esquecimento ou o cancelamento, lançando a provocação central: quanto vale se desconectar para ser verdadeiramente útil a si mesmo?

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Texts in English

What do we want from life?

This insightful text challenges our modern obsession with financial accumulation, urging us to redefine abundance through quality of life and collective well-being rather than selfish greed.

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Crônicas

Expectativa versus realidade

A crônica aborda o eterno conflito entre o que planejamos e o que o mundo nos impõe, sintetizado na equação “expectativa versus realidade”. O autor reflete sobre como a busca por uma vida calma é constantemente interrompida por pequenos caos cotidianos ou dilemas que exigem respostas rápidas. Argumenta-se que a própria ausência de acontecimentos pode ser uma bênção na modernidade.

O texto aprofunda-se nas maiores fontes de frustração humana: a incompatibilidade nos relacionamentos — gerada pelo desejo de que o outro reflita as nossas próprias vontades — e a imprevisibilidade profissional. Diante de um universo que decide caminhos alheios aos nossos planos, o autor aponta o autocuidado e o amor-próprio não como egoísmo, mas como ferramentas de independência pessoal indispensáveis para aprender a nadar contra a correnteza e digerir as frustrações da realidade.

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Crônicas

Sofrer de amor

A crônica propõe uma investigação poética e existencial sobre a indissociável relação entre o amor, o sofrimento e o próprio ato de viver. O autor desconstrói a lógica desses sentimentos, definindo o sofrer não como um fardo passivo, mas como a sofreguidão intensa de quem busca o ar para respirar. Viver e amar são apresentados como aventuras de peito aberto, onde o indivíduo troca a segurança de uma ilha deserta pelas incertezas de um mar bravio.

O texto destaca o caráter silencioso e íntimo de quem sofre por amor — uma dor que se enfrenta na madrugada, sem palavras, mas que deixa marcas profundas para o resto da vida, seja na ausência ou na despedida. Longe de ser um fracasso, essa dualidade entre o amar e o sofrer localiza o ser humano em um limbo reflexivo, transformando vivências em memórias, devaneios e histórias que dão sentido à intensidade da existência.

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Crônicas

Jornada sem estrelas

A crônica propõe uma sensível analogia entre a existência humana e uma viagem repleta de acasos, onde as marcas do tempo no corpo e na alma testemunham as diferentes trilhas percorridas por cada indivíduo. O autor contrasta os caminhos dos privilegiados, dos indiferentes e daqueles que enfrentam vias tortuosas, ressaltando o peso do destino e das escolhas nos momentos de crise. No cenário urbano, os anônimos lutam pela subsistência e mal têm tempo de olhar para o céu; ainda assim, a resistência diária confere beleza à sua caminhada.

O cerne do texto reside na busca pelas estrelas — metáforas de guias, nortes e sonhos. Enquanto alguns desistem diante de noites nubladas e tempestades, os mais fortes enfrentam a escuridão sem medo, lutando para romper círculos de pobreza e transformar destinos pré-selados. Ao fim, a jornada perfeita é definida pela ausência de arrependimentos ao olhar para trás, enquanto aqueles que ignoraram os sinais das estrelas carregam o peso de encruzilhadas mal resolvidas e de um livro de memórias que preferem não reabrir.

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Textos en español

Cuando se crea la poesía

El texto explora la naturaleza enigmática y contradictoria del poeta y el proceso de creación de la poesía. El autor desarma la figura romántica del escritor al revelar sus trucos: los poetas inventan tristezas que no les pertenecen o simulan alegrías para enmascarar su dolor, jugando con las palabras como si desenredaran un ovillo de hilo. A diferencia de los científicos o eruditos que pretenden resolver los problemas del mundo con arrogancia, los poetas poseen un don innato que no se aprende en las universidades; son seres que observan la realidad desde una perspectiva única desde la cuna. Capaces de conmover con apenas tres palabras y de revivir como el ave fénix a través de sus versos, los poetas actúan como científicos del alma que crean medicinas invisibles, cuyo efecto sanador o transformador solo se activa cuando el lector abre un libro y se deja contagiar.

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Crônicas

Prisão invisível

A crônica propõe uma reflexão sobre as quatro grandes invenções da humanidade: o fogo, a palavra, a moeda e a internet, destacando que o elo entre elas é a capacidade de reunir pessoas. Contudo, o autor foca no paradoxo da internet, que revolucionou o mundo para o bem e para o mal. Ao mesmo tempo em que conectou culturas em tempo real, criou uma “prisão sem grades”, onde as pessoas assistem à vida pelas telas de forma superficial, sem tocá-la ou experimentá-la de fato.

O texto aborda a evolução da informação e os riscos de cada era, culminando no fenômeno da pós-verdade e das fake news. O bombardeio automático de dados supera a capacidade humana de discernimento, gerando instabilidade ética e insegurança. O autor conclui com um alerta crítico sobre a chegada da inteligência artificial, que surge no circuito como um falso salvador, mas que ameaça empurrar a humanidade de volta a uma era de trevas e alienação.

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