
Prisões Invisíveis
Na vida, temos grilhões que nos prendem, nos amoldam e fazem com que vivamos sempre na condicionante de algo. O futuro é um “se” em nossas estratégias. Ao final de tudo, ponderamos sobre as nossas possibilidades e colocamos tudo na balança. Projetamos nossa vida e antes do salto final vem aquela interrogação: e se. Somos prisioneiros de fatos invisíveis, de eventos que vão ocorrer e tentamos nos antecipar a eles. A condicionante é parte da estratégia porque coloca a dúvida, e da dúvida pode vir a luz para um novo entendimento do futuro ou, simplesmente, na covardia do momento, vamos desistir de tudo.
Mas a dúvida pode ser também a luz do descobrimento, quando um cientista se pergunta, ponderando o seu conhecimento e aquele insight que desperta o novo mundo: e se eu tentasse dessa maneira? Essa curiosidade, que é ao mesmo tempo uma prisão invisível, se transforma no desejo de ir mais além, quando o “se” se transforma na mola propulsora para o salto final.
Nosso horizonte é povoado de “ses”, ao imaginar o momento que vamos constituir a família, encontrar o amor, o emprego desejado, o carro novo ou as férias. Esse “se” nos coloca no futuro, com a imaginação fluindo livre, com todo o universo conspirando a favor. Mas, ao mesmo tempo que imaginamos esse futuro, ele não deixa de ser uma prisão, porque não admite a interferência do externo e, portanto, aquele imaginário está isolado, prisioneiro do seu próprio “se”.
O acaso vem ao nosso encontro com todas as suas argumentações. Afinal, nossas vidas estão conectadas e as nossas vitórias ou derrotas se transformam no “se” de outros, quando as vitórias e derrotas funcionam como gangorras temporais, alternando as condicionantes de cada um. O acaso nos faz encontrar a pessoa amada, ler no momento correto uma chamada de emprego ou nos fazer ver algo que desperta nossa atenção e nos faz mudar a trajetória do futuro e encontrar uma profissão tirada, totalmente, do acaso.
Alguém pode amar outro, incondicionalmente? Pode alguém se dedicar ao outro sem medir as consequências, apenas por amar? Quando alguém decide viver com outro alguém, existem algumas condições que são impostas. Mas se esse outro muda de ideia e aquele acordo, repleto de condicionantes, se transforma em nada? E se o amor é muito grande, mas um grande “se” aparece no horizonte, quando a realidade se impõe e o outro não seja, exatamente, aquilo que se pensava ser?
Mas o “se” é muito além disso. Vivemos em um mundo conectado e somos condicionados na prisão invisível do “se” quando nos habituamos a confiar na tecnologia e nos condicionamos a ela. Olhamos o celular pensando se aquela pessoa, finalmente, vai ligar, mandar uma mensagem, um simples oi no Whats.
O “se” se desvanece no momento em que fincamos os pés no futuro, ou prometemos algo concreto para fazer “quando” o futuro chegar.
Origem da foto: Foto de Efkan Senturk na Unsplash
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