
A espera interminável
Esperar nem sempre é bom. Se acreditarmos em quem espera sempre alcança, poderemos esperar eternamente por essa bonança. Em realidade, somos seres que vivemos em estado de apreensão. Quando pensamos no futuro, nada é previsível, porque o futuro é uma alienação do espírito, algo que não existe e se forma em nossa imaginação. No entanto, ao estabelecer estratégias para o futuro, a espera é uma circunstância crucial, porque a paciência é a parceira nessa empreitada. Nada nos aflige mais do que estabelecer passo a passo nosso futuro, cumprir cada uma das etapas, sem nos importarmos com as opiniões e com as adversidades que o mundo nos apresenta.
Diante das possibilidades de desviarmos da meta pretendida, a partir de tudo o que o mundo nos oferece, é uma batalha dura. Muitos abrem mão da juventude, dos melhores momentos da vida, de quando se é jovem e quer experimentar as coisas novas, para estabelecer uma meta na vida. Não é uma luta fácil porque as possibilidades de fracasso estão presentes nessa empreitada.
Viver, então, é um ato de apreensão eterna. O ser humano viveu apreensivo diante da grandeza da natureza, lutando contra predadores e fenômenos naturais. Essa apreensão nos tornou mais fortes e coesos, diante dos obstáculos desafiadores. Hoje, essa mesma apreensão existe para aqueles que apostam em algo, e esse momento de apreensão é de uma espera que parece não ter fim.
Temos a espera por uma empreitada financeira, muitas vezes pensada e sonhada, as preocupações com a saúde física e mental no mundo moderno e o futuro incerto, entregue aos desatinos do tempo.
Saber não é um trunfo na certeza. Mesmo o mais sábio não pode antever situações extremas, mas a sua sapiência existe, justamente, nesse compasso da espera. Porque o momento mais sábio é a oportunidade que surge, e sábio ou o oportunista é aquele que espera o momento certo para dar o salto de qualidade na vida.
Mas temos a aparência, aquele estado de tranquilidade e de certeza que é apenas pano de fundo para nossas atitudes. Isso tudo se revela na confiança, em saber que a espera não é daninha, mas boa conselheira.
O medo do desconhecido é um elemento importante para organizar a espera, que é a estratégia de pensar, cuidadosamente, nos próximos passos.
Em momentos de pânico, aqueles que param para pensar e esperam que o cérebro se organize são os mais propensos à sobrevivência. O pânico é o inimigo da perfeição, e pertence àqueles que vivem sem a paciência, esse elemento crucial para os momentos de decisão.
A desconfiança entra como o último personagem nessa peça teatral que a vida nos apresenta. Desconfiar é sempre bom, porque representa a pausa, quando tudo está indo muito fácil. A desconfiança nos revela que o terreno pantanoso apresenta a superfície mais limpa e perfeita, como se a caminhada fosse fácil. A pressa causa nos incautos e naqueles que vão com sede demasiada ao objetivo que esperar não é apreensão, mas aprender como superar obstáculos e sobreviver.
Origem da foto: Foto de Ante Hamersmit na Unsplash
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