Crônicas

Escolher a saída

       Uma porta de saída tem muitos significados. Podemos imaginar essa saída como se fosse um rito de passagem, por exemplo, quando pensamos no futuro e o que fazer quando ele chegar.
        Esses ritos de passagem nos acompanham por toda a vida. Projetamos nossas vidas a partir de estratégias, dando um passo de cada vez até alcançar nossos objetivos. Assim, vamos concatenando as ideias para pensar quando terminarmos os estudos e nos prepararmos para a universidade; quando procurarmos uma colocação depois dela; quando atingirmos nossas promoções e ascensões na carreira e quando, finalmente, nos aposentarmos. É um processo de viagens através do tempo, com seus altos e baixos, seus contrapontos, vantagens ou desvantagens. Algumas vezes, no entanto, temos que considerar algumas portas de saída quando temos que fazer uma correção de curso.
       Portas de saída, nesses casos, são escolhas. Portas de saída são portais para outros espaços muitas vezes não imaginados. São escolhas forçadas ou não, oportunidades ou desistência de sonhos. Tê-las, nem sempre são pesadelos, mas chances de encontrar novos rumos. Mas elas, também, podem significar uma ressignificação, uma reviravolta que vai mudar tudo e se transformar em um novo mundo fascinante.
        A porta final seria o momento de se aposentar e considerar novas e ousadas aventuras e desejar aos que ficam um bom resto de viagem.
      No seu dinamismo, a vida comprova que as portas de saída são essenciais. Sem elas, nossas vidas não fariam sentido, significariam que nossas vidas serão robotizadas, obedecendo ideias que não fazem, muitas vezes, parte da nossa realidade.
       A vida também nos coloca em situações sem saídas, presos em uma carreira que no seu decurso apresenta desvantagens, e nós perdemos ou deixamos passar a oportunidade de revertê-la e ficamos presos em um mundo enfadonho e triste. Pode ser quando entramos em um relacionamento que vai exigir muito de nós até o seu rompimento. E, apesar de haver uma saída, que é romper com tudo, ela não pode ser aberta porque as escolhas vão influir nessa decisão. É muito duro ver a porta de saída, com todas as suas consequências, mas uma prisão moral, às vezes, nos impede de acionar esse rito de passagem.
        A escolha é livre, todos podem fazê-la. Alguns são corajosos ou temerários em fazê-la, e outros são responsáveis o suficiente para conter-se, pensando não em si, mas em todos que poderão sofrer juntos. Resta ao solitário ou à solitária sentar-se no chão e observar a porta que está disponível, mas não será aberta.
        A rotina que vivemos também nos pede a porta de saída, o momento em que vamos nos desfazer de uma vida monótona e tediosa que nos oprime. É quando decidimos sair para o mundo e buscar outras oportunidades: seguir por um caminho diferente ao voltar para casa; decidir entrar naquele bar e beber aquela cerveja que outros nos causaram inveja; comprar uma roupa diferente; fazer uma programação fora do normal ou decidir, enfim, se declarar a quem se ama.
      As escolhas são terríveis, mas podem ser belas. Projetos decididos poderão se transformar em desastres ou em sucessos, mas, se não acionarmos essa porta de saída, nunca saberemos o que existe depois dela. Portas de saída são muitas e a sorte acompanha aquele que decide abri-las, e para isso a coragem e a ousadia são as parceiras poderosas do viajante.

Origem da foto: Foto de Vladislav Babienko na Unsplash

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Nilson Lattari

Nilson Lattari é carioca, escritor, graduado em Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e com especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Gosta de escrever, principalmente, crônicas e artigos sobre comportamentos humanos, políticos ou sociais. É detentor de vários prêmios em Literatura

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