Liberdade desorientada
Quem nunca, ao se sentir livre, sofreu uma desorientação? Pois uma grande questão é ser livre, ser dono do seu próprio nariz e descobrir que nada sabe fazer estando solto e podendo decidir seu próprio destino. Embora critiquemos as nossas sociedades, essa “prisão” também significa uma proteção e um caminho definido de escolhas possíveis dentro delas. Seria como ser livre dentro de uma sociedade que oferece múltiplas possibilidades de ser livre, embora subjugado a regras e regulamentos.
O profissional que decide abandonar tudo e seguir outro caminho, por exemplo, é porque esse caminho já existe na sociedade. A escolha, portanto, está dentro dela e não fora dela. Mesmo aqueles que abandonam a vida urbana e vão viver em rincões afastados, buscando uma qualidade de vida alternativa, na verdade, não vivem longe da comunidade. Sempre estarão em contato com ela, de uma maneira ou outra, para a própria sobrevivência. Ser uma ilha é muito complicado, principalmente em épocas de tsunamis econômicos e sociais.
Se formos colocados em meio a uma floresta, onde os poderes das decisões pertencem a nós mesmos, talvez não saibamos o que fazer com aquela liberdade longe de todos. Construir castelos de sonhos, em que eles não possam ser admirados por outros, talvez desoriente o arquiteto. Um ermitão vive sua existência longe de todos e, para ser livre, ele precisa se defender dos perigos do isolamento, logo, essa liberdade desorientada sofre de sentido: por que viver em perigo em um mundo onde não há uma segurança possível?
A desorientação é um abismo incontornável. Temos que enfrentá-la com decisões firmes para continuarmos a curtir essa liberdade. Nas sociedades, nossa liberdade é vigiada, punida e também protegida, desde que sejam respeitados os limites do direito alheio. Para os ditadores, que buscam uma liberdade de fazer escolhas e dizer o que pensam, a desorientação é não conseguir subjugar a liberdade do outro. Para os democratas, a desorientação é saber que a liberdade não é capaz de agradar a todos: todos sofrem e se desorientam de qualquer maneira.
Existiria desorientação maior do que descobrir o propósito da nossa existência? Ao saber que podemos pensar o que quisermos, e dentro das nossas mentes pensar que tudo é possível, esbarramos no livre-arbítrio, que é o uso da liberdade e aberto às consequências do ato. Somos humanos e ficamos desorientados diante da falta, do excesso ou da simples existência das escolhas.
A despedida de um emprego, o abandono amoroso, a infidelidade de amigos causam uma desorientação e uma vertigem que nos levam a tomar atitudes impensadas. Quanto mais tempo permanecemos no topo, imaginando que somos os donos dos espaços, o grande problema é a manutenção desses lugares, sempre assediados por todos que esperam chegar lá.
Somos carros de corrida competindo por igualdade ou não, para sermos livres. Essa velocidade de pensamento, essa busca incessante pelo sucesso ou a simples sobrevivência podem ser as razões para essa vertigem social que assola nossas vidas.
A liberdade absoluta implica escolhas difíceis. E escolher caminhos, sabendo que não há retorno, é uma das causas dessa desorientação, talvez em busca da sonhada liberdade.
Origen de la foto: Foto de Aditya Saxena na Unsplash
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