Crônicas

Sob a ótica do afeto

        Na verdade, família é bagunça, afeto, discórdia e outras coisas que deixam em nossas memórias coisas boas ou más. Além disso, alguns dizem que família só atrapalha e outros dizem que quando as famílias se misturam, as coisas podem sair do controle. Afinal das contas, família todo mundo tem, até aqueles que não tiveram pai ou mãe, porém de um certo modo família pode ser muita gente ou gente que nos faz bem.
       De certo modo, família é onde nós aprendemos muitas coisas, desde famílias grandes ou pequenas. De outra maneira, as grandes famílias tendem a se desfazer e cada um procurar o seu destino. Depois disso, outras famílias se formam, os primos e primas deixam de se ver e o mundo é cada um por si.
      No mundo moderno, as famílias se mantêm conectadas e com o tempo elas se resumem a lembranças na Páscoa, no Natal e para alguns que lembram dos aniversários.
      Dentro dos discursos políticos, família é um grande coringa quando todos falam em sua defesa, tendo até mesmo alguns que gostam tanto que têm mais de duas, com filhos de diversas origens.
     Por força da cultura e da influência religiosa, família é aquela com o pai, a mãe e os filhos, como é definida uma família tradicional. No entanto, como a família é um círculo de afeto, esse círculo afetivo não contém regras ou definições: família é quem espalha o amor sem condicionantes.
     Por força disso, a família, hoje, vai mais além do círculo tradicional e se concentra naqueles que oferecem a proteção, o carinho e o afeto incondicional. Porque família, sucintamente, é isso.
     Do ponto de vista de uma criança, ela não vê o pai ou a mãe como figuras tradicionais, mas sim aqueles que dão a ela um espaço físico que pode chamar de casa. Para ela, a casa é onde ela pode voltar, um porto seguro que traz a possibilidade de sempre recomeçar.
     Consequentemente, as imagens de uma família encerram as histórias e os risos em volta da mesa e também os momentos de correção de rumos, as cobranças que vão formar a personalidade.
     As discussões envolvem a homoparentalidade, quando dois seres que se amam, independentemente de quem são e de onde vêm, resolvem dar essa proteção afetiva para aqueles que nunca tiveram o que se chama lar. Todavia, o amor não enxerga fronteiras e não define o coração de ninguém, porque o recheio de uma família é essa relação de amor e afetos que unem corações diferentes e histórias também.
     A despeito das convenções, uma família é aquilo que une, podendo ser um casal, uma comunidade, uma cidade ou um país. Essa ideia da família reúne algo mais além do que determinam as religiões ou a política. Uma família significa união e contraste, diferenças e igualdades, segurança e afetividade.

Origem da foto: Foto de Ioann-Mark Kuznietsov na Unsplash

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Nilson Lattari

Nilson Lattari é carioca, escritor, graduado em Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e com especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Gosta de escrever, principalmente, crônicas e artigos sobre comportamentos humanos, políticos ou sociais. É detentor de vários prêmios em Literatura

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