Tirando o caos, foi um bom dia
Fazendo um balanço entre perdas e danos, creio que a vida não seja tão difícil como dizem. Na verdade, viver é um caos permanente de prejuízos e lucros, de perdas irreparáveis a ganhos inesperados. Viver é uma surpresa, um caleidoscópio onde as cores se misturam e não se definem. Predizer o futuro é um pedido de socorro que fazemos diante de tantas diabruras que a vida nos proporciona. Enfim, tirando tudo isso, o que nos resta é uma sensação de estar perdido no tempo.
A realidade virtual tem suas virtudes, embora uma virtude não seja, necessariamente, uma miragem, um ser qualquer, mas um fato. Alguém tem uma virtude e, provavelmente, uma qualidade. Na realidade dura da vida, onde o virtual não existe, quanto à virtude, devemos admitir que uma dose de fantasia é necessária para dar um certo alento nesse ato de viver. Portanto, o virtual nos socorre para atenuar a dureza da realidade em que vivemos.
Nunca estamos satisfeitos com a trilha que tomamos na vida, e pensamos se não poderíamos retornar ao passado e “consertar” as nossas bobagens. Quem sabe criar outros ambientes para refazer as bobagens e criar outras. Essa insatisfação é um caos onde não se consegue controlar a vida. O caos não é necessariamente o final de tudo, mas pode ser o recomeço, a partir da decomposição de sonhos e de fantasias. O caos do sonhador é perder seus sonhos e encontrar a realidade, o caos do realista é sonhar somente uma vez e ver o sonho contradizer suas opiniões.
O amor é um caos que se instala nos corações, assim como o ódio que dissemina rancores. Ambos os sentimentos são responsáveis pelo caos em nossas vidas. Encontrar uma paixão e ver outro ser transformar nossas vidas e perturbar nossos sonhos causa uma hecatombe de sentimentos desconhecidos. O amor é como um despertar em uma ilha onde somente existem o ser amado e o seu seguidor. Não há controle quando uma paixão se instala. O mesmo amor pode ser um sentimento de revolta que toma conta de uma multidão quando parte em direção ao mundo sonhado. Um revolucionário é, antes de tudo, alguém que suportou por anos uma relação doentia com a autoridade ou com alguém que se ama e, subitamente, o caos causa um despertar que busca uma luz no final do túnel da existência.
A raiva é o caos na mente do oprimido ou do invejoso. A mistura de sentimentos entre a inveja e o ressentimento é o caos no pensamento daqueles que perdem os sentidos e tentam modificar o mundo à sua feição. Ou o trabalhador que sai da sua casa bem cedo e, depois de um dia extenuante de trabalho, vai encontrar, seja o homem ou a mulher, o caos instalado em sua casa. Mas o caos, verdadeiramente, é tentar resolver problemas insolúveis ou surpresas.
Muito se fala em abandonar a zona de conforto, abandonar um lugar onde toda a rotina é previsível para abraçar o desconhecido. Ainda existem tolos que interpretam abandonar a zona de conforto como se houvesse a possibilidade de encontrar um refúgio melhor. É possível isso? Sim. Há certeza para isso? Honestamente, somente o caos pode responder, caso esteja presente ou não.
Origem da foto: Foto de nikko macaspac na Unsplash
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