Selo da alma
Existem características em nossas personalidades e em nossos corpos que nos fazem ser únicos. Até mesmo os gêmeos, que, fisicamente, seriam próximos, diferem nas personalidades. Seria como se, ao nascer, recebêssemos um selo de identificação. Este “selo” é algo informal, não auditável e funciona como a ratificação daquilo que somos. A alma tem uma essência que lhe é peculiar e funciona como o âmago, o que temos de mais profundo dentro de nós. A alma é um conteúdo intangível e somente nós podemos perceber o que se passa dentro da gente. As angústias, as tristezas e os arrependimentos nós escondemos e expomos aquilo que, muitas vezes, não somos de verdade.
O “selo da alma” seria uma impressão digital, mais ou menos envolvendo nossa vocação, nosso propósito na vida; o que viemos fazer aqui, de verdade.
No entanto, as circunstâncias da vida desviam nosso “selo” para outros propósitos e temos que escolher entre a vocação e a sobrevivência. Alguns têm a felicidade de ratificar sua vocação e conseguem seguir em frente, preocupados apenas em ficar cada vez melhores – é ver a vida pelo prisma do vencedor porque, para sermos vencedores, necessitamos de dedicação, e ela é a ratificação da nossa vontade, de algo que a alma traz dentro de si; o “selo” que ela recebe.
Por outro lado, outros desistem desse ser que existe dentro deles e não ratificam seus propósitos de vida e abandonam o “selo” vital, a essência do ser para singrar outros rumos – é ver a vida pelo prisma de quem perde, de quem sempre está atrás, porque o que fazem não tem nenhuma identificação consigo mesmos. É uma impressão digital falsa e sem sentido, ratificada todos os dias como a perda desse “selo”.
No coletivo, uma sociedade pode ratificar seu “selo” como a soberania, não importa que seja dominada territorialmente, mas ela guarda dentro dela essa autenticidade, algo inato, que não se negocia e da qual não abre mão.
Um povo, que acredita nos seus valores culturais, preserva sua língua, rechaça a interferência estrangeira, ratifica sua identidade, guarda sentimentos que passam de geração em geração, e são inabaláveis. Por isso, o país pode perder seu espaço, mas uma nação continua, ainda que espalhada pelo mundo.
As conexões entre o “selo”, ou seja, aquilo para o qual o indivíduo ou a sociedade foi formado, permanecem inalteráveis, e, também, a conexão entre o indivíduo e a essência da sua alma.
Ninguém, seja o indivíduo ou a sociedade, pode desatar esse nó, essa ligação entre os seres.
Esse edifício de valores revela uma autoconfiança e uma autoestima que impõem respeito ao outro, seja o conquistador do espaço ou o competidor individual. Existem entes que, mesmo sendo derrotados, mantêm com orgulho um espaço entre derrotados e vencedores. Por mais que o vencedor tente impor seus valores, cada vez mais um povo ou indivíduo que têm o “selo da alma” se mantêm intacto.
No indivíduo, o selo é a ratificação da sua determinação. Nas sociedades, o selo é o consenso e a ideia de futuro que seus indivíduos têm.
Origem da foto: Foto de Joachim Schnürle na Unsplash
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