Mentes curiosas
Quando uma criança desperta para o mundo, os porquês começam a fazer parte das suas vidas. É uma aventura que se inicia baseada, exclusivamente, na curiosidade, no desejo de saber por que as coisas acontecem e as suas razões. São os alunos iniciando na grande classe que é a vida.
O ser humano é movido pela curiosidade, e os mais curiosos são os melhores alunos, prontos para abrir-se ao conhecimento. Quando começamos a vida, a vida também começa a se extinguir. Para os otimistas, é mais um dia para experimentar as coisas da vida e, para o pessimista, é menos um dia que perdemos e que não voltará.
Dependendo do ponto de vista, a curiosidade só aumenta ou diminui, porque a busca pelos porquês permanece e somente os melhores alunos, os mais curiosos, vão permanecer até o fim do curso, dentro da sala de aula. Os demais faltam às aulas, abandonam a escola e vão se achar prontos para responder os seus porquês baseados, unicamente, nos seus achismos.
Entre nós, assim como a homogeneidade de uma classe, a humanidade é diversificada entre aqueles curiosos e aplicados e os outros que não se importam com as aulas ou com o conhecimento. E esse se torna o grande dilema dos nossos tempos, quando os porquês passam da curiosidade para a contestação sem base alguma.
Em todas as classes, pelo mundo, talvez existam os alunos aplicados e aqueles que vão para a escola apenas para infernizar a vida de todos. Também tem aqueles que vão para a escola em busca da sua refeição ou de um lugar para fugir dos problemas dos seus lares. Nessa grande escola do mundo, a curiosidade perde o foco, em função da sobrevivência, e somente àqueles que têm acesso às oportunidades cabem a curiosidade e a satisfação dos porquês.
A mente curiosa também corre os riscos das descobertas porque aprender é correr os riscos naturais do desconhecido. O aprendizado é um exercício constante para satisfazer as mentes insaciáveis. Mas quantos ficam alijados desse sistema de mentes curiosas por causa de condições sociais e econômicas? O mundo da sala de aula é injusto quando beneficia aqueles que vivem próximos das oportunidades e da curiosidade e não aproveitam. Ao professor caberia colocar todos no mesmo nível e a curiosidade deveria ser o mote de todos os alunos. Somente àqueles privilegiados cabem a satisfação da curiosidade e, para os outros, a menos que tenham uma mente excepcional, caberia olhar de longe os curiosos satisfazerem seus desejos.
Vemos hoje, espalhados pelo mundo virtual, que a curiosidade não é a satisfação dos porquês, mas desafiar a intimidade do outro, devassar suas identidades e se satisfazer vendo aquilo que fazem. Outros, por curiosidade, imitam as mesmas coisas absurdas, taxados de seguidores, que não estão atrás dos seus porquês e até mesmo nem sabem por que estão ali. São curiosos que imitam curiosos, sem ter a menor noção do que seja buscar conhecimento.
Origem da foto: Foto de Josh Mills na Unsplash
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