Lógica dos acasos
A vida poderia ser definida como uma sucessão de eventos aleatórios, patrocinada pelas ações individuais das pessoas. A construção da história é essa sucessão de eventos com consequências imprevisíveis, apesar de que alguns teimem em repetir os eventos, acreditando que o seu final será coincidente com os eventos passados.
No entanto, somos propensos a agir por impulsos, por atos imaginados e executados pela espontaneidade dos atos. Nada é garantido na vida, nem mesmo os poderosos podem controlar os eventos todo o tempo.
Com o domínio das redes sociais, existe uma lógica que tenta permear o destino das pessoas. Muitos acreditam que poderão alcançar os mesmos objetivos se repetirem os passos de alguém vitorioso. Porém, nenhuma história pode ser repetida, porque seu fundamento se baseia em eventos incontroláveis. E isso tudo influencia a origem, a família, o desempenho intelectual e outros atributos. O acaso não oferece lógica, simplesmente é ocasional, fortuito e sem conexões.
Procurar uma lógica entre os acasos é puro tempo perdido.
Nós somos, entretanto, uma sucessão de eventos construídos por um fio invisível que vai costurando a vida de cada um. Ninguém é isolado, e mesmo aquele que vive em isolamento tem um fio invisível que o liga à humanidade, o fato de ser humano e ter atitudes humanas, tanto pela sobrevivência como pela sociabilidade.
Precisamos um do outro e por isso construímos uma vida em sociedade. Todos os nossos atos, assim como o efeito borboleta, geram consequências em outros. Quando influímos na opinião de alguém, esse alguém sofrerá alguma consequência, seguindo ou não e como vai atuar de maneira significativa e vai influir em outros.
Somos a consequência de muitos que ficaram para trás. Usufruímos do legado de outros, de antecessores e vivemos em nosso presente um pouco da história que ouvimos de pessoas que não mais existem. E seremos os responsáveis pelos atos de outros que virão.
Casais ou amigos se conhecem por consequência de fatos isolados. Uma discussão entre duas pessoas pode ter como consequência uma grande amizade e parceria ou uma grande inimizade ou indiferença. Um casal vem a se encontrar a partir de encontros que não estavam na perspectiva de nenhum dos dois. O aleatório funciona de uma maneira lógica, na lógica do aleatório, e por isso as consequências são imprevisíveis.
Teria o pressentimento uma lógica? Alguém caminha por uma rua escura e, de repente, tem uma sensação de perda, de algo adiante que vai colocá-lo em perigo. Esse acaso geraria uma consequência, ou seja, o passante deixará de cumprir um compromisso que agendou e vai alterar sua rotina. A consequência não seria esperada pelo que o espera, e isso gera uma outra situação. Um outro resolve sair à rua, tentando saber o que aconteceu, e ele, por sua vez, sofre a consequência de correr o perigo que o outro evitou.
A lógica do acaso reside no próprio caos que se forma a partir de uma decisão fortuita e inesperada. As decisões seguem esse mesmo caminho, de quando alguém decide reverter aquilo que decidiu. A consequência será a completa alteração de um destino que não estava escrito, mas esperado, e se rompe uma linha invisível para se costurar outra.
Se pedimos algo a Ele e nosso pedido é atendido, o resultado será tirar de outro o objeto de desejo, e isso gera uma consequência de frustração que vai mudar o destino de alguém.
O acaso existe, contrariando a mística. Ele simplesmente segue a lógica do inexistente, porque do caos, no seu embate de elementos, gera uma luz que ninguém havia previsto.
Origem da foto: Foto de Jan Huber na Unsplash
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