Penalidade do tempo
Invariavelmente, sempre voltamos ao passado e tentamos fazer um balanço dos nossos erros e acertos. Ainda que não queiramos, fazemos um balanço das nossas atitudes e admitimos ou não os nossos erros. Consequentemente, fazemos uma autocrítica interna, ainda que parcial, procurando as justificativas que nos desculpem pelos erros cometidos.
De tempos em tempos, essa autocrítica vem à mente e procuramos os erros como um consolo para os fracassos no presente. Internamente, é muito difícil admitir os nossos erros, mas devemos pensar, no entanto, que muito do que fizemos foi decorrente da nossa imaturidade e impulsividade.
Até que ponto seremos os julgadores dos nossos próprios atos e condescendentes com eles? Nesse caso, existem dois tipos de pessoas: aquelas que assumem seus erros e tentam aprender com eles, e aquelas que não veem erros em suas atitudes e insistem em cometê-los ainda que os resultados sejam os mesmos. Para os primeiros trata-se de uma autocrítica e aprendizado, para os demais uma enfermidade social que prejudica a eles mesmos e aos demais.
Por outro lado, existem os julgamentos dos atos próprios, quando julgamos os outros, quando descobrimos ou percebemos seus erros. Antes de tudo, prejulgamos a partir dos nossos próprios conceitos de vida. Criticamos os demais partindo do pressuposto de que nossa posição ou ponto de vista é mais correto e aplicável. Deveríamos sim, aplicar golpes e punições de gentileza e reconhecer que erros não são todos iguais, e cada um os comete por diversas maneiras ou por decisões intempestivas.
É muito comum algumas pessoas se atribuírem como conhecedoras da lei e da ordem, sendo que, na maioria das vezes, muitas das possibilidades não são aplicáveis e totalmente contrárias ao espírito da lei.
Além disso, o julgamento definitivo é quando comprometemos o futuro, procrastinando as tarefas e deixando para depois o que podemos fazer naquele momento. O futuro sofre a pena pela falta de juízo e, por isso, punimos o nosso futuro com as decisões corretas que deveríamos ter tomado antes.
O resultado desses hábitos é o arrependimento que sentimos, e é quando voltamos no tempo e, se temos senso de autocrítica, vemos que os nossos erros e omissões é que causaram uma tempestade sem controle no amanhã.
Se não cuidarmos do presente, a conta vai chegar e, bem cara, no corpo que já não consegue mais fazer as tarefas mais simples, no desânimo que sentimos quando verificamos que não há mais tempo para recuperar. Nesse sentido, a penalização que o tempo nos impõe é, exatamente, essa conta cara para pagar.
Se envelhecemos, devemos imaginar que existe uma poupança possível de ser feita, embora não tenhamos conhecimento de eventos sobre os quais não temos nenhum controle. Poupar-se é viver mais um pouco ou dar dignidade ao corpo para que a penalização do tempo não nos coloque em uma prisão perpétua de arrependimentos.
Origem da foto: Foto de hoch3fotografie na Unsplash
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