Preço da liberdade
Tudo na vida tem um preço, inclusive a liberdade. Mas sempre discutimos sobre preço e não sobre valor. Nem sempre estabelecemos o preço correto para o real valor das coisas. No mundo do capitalismo, a lei da oferta e da procura estabelece o preço, mas não o valor. Logo, a questão seria perguntar: qual o valor da liberdade?
Nesse caso, o valor seria estabelecido por outra lei, a lei que cada um estabelece para si mesmo ao avaliar o que algo representa, individualmente. Portanto, a liberdade está presente quando pensamos quanto representa para nós ser livre ou o que seja ser livre, no conceito de cada um.
A liberdade é um tema discutido diuturnamente em nossos dias. Alguns imaginam a liberdade como o direito de fazer o que se quer. Seria como: eu posso fazer o que quiser e pouco importa o que o outro pense. Eu posso mentir, ter a liberdade de mentir, porque cabe ao outro decidir se é mentira ou não. Assim sendo, eu posso deturpar fatos e pouco importa o que os demais pensem.
Se cada um pensasse assim, o preço da liberdade seria bem alto, porque ela, simplesmente, perderia o valor, o seu valor de negociação. Liberdade seria um motivo para negócios: quero ter liberdade e, se você não gosta, podemos negociar a sua liberdade pela minha liberdade de dizer o que quiser. E qual o valor disso? Poder ofender quem eu queira e, para aqueles que pensam assim, essa liberdade não tem um preço, mas representa um valor grande para o ofensor.
A liberdade seria um bem negociável ou não? A liberdade de cada um é inegociável, mas, assim como qualquer negócio, para que ele finalize, é necessário que haja um termo conhecido como confiança. Se dois confiam, um negócio se realiza. Portanto, como confiar em alguém que julga a liberdade como um bem longe de qualquer ética, lei ou limites?
Concluímos que a liberdade tem um limite e o seu valor está nesse limite, e não há preço que se pague para abrir mão dele. O limite impõe a igualdade entre desiguais.
A liberdade, assim como qualquer conceito, tem um propósito. Ser livre não é ser livre para fazer o que se queira, mas realizar sua liberdade dentro dos limites que não ultrapassem os direitos. Se o direito de matar fosse livre, qualquer assassino pagaria um alto valor por isso. Mas caberia à vítima, em potencial, reagir na mesma medida. Logo, a liberdade perderia o seu valor porque a barbárie se instalaria, então por que a liberdade teria razão de existir?
Uma sociedade para ser livre luta por seus propósitos, seu ideal de vida social. Mas, depois de conquistá-los, há o fardo de mantê-los acesos e atuantes. Logo, o preço dessa liberdade é alto, devido ao valor que ela representa para uma sociedade como um todo.
Ser livre para decidir implica arcar com as consequências da decisão. Conquistar a liberdade custa caro e, por isso, o seu valor é alto. Não é fácil ser livre em um mundo onde forças insistem em defender as “suas” liberdades, a partir de conceitos difusos e mal-intencionados; ter a liberdade de oprimir é impor o valor individual da liberdade sobre outros.
Além disso, existe a liberdade interior. Mesmo vivendo sob a opressão da liberdade alheia, um homem pode ser livre dentro de si mesmo. No entanto, podemos dizer que somos livres, mas somente quando conhecemos alguém, realmente, livre. Podemos valorizar ser livre se a liberdade nos cobra um preço alto, e quando aquele que é livre, de verdade, estabelece algum preço nisso.
Origem da foto: Foto de Fabian Blank na Unsplash
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