Crônicas

Desafio da mudaança

        De certa maneira, tudo o que fazemos, desde nossos hábitos, maneiras de pensar, preconceitos ou não, advém da nossa história anterior. Nossas tradições culturais e familiares prevalecem, algumas vezes, em nossa forma de pensar. Alguns perpetuam esses pensamentos, os incorporam e passam para seus filhos, outros entendem que é hora de mudança, a partir dos novos conceitos e perspectivas as quais entram em contato: mudam e passam a mudança para seus filhos.
       O desafio da mudança é aterrador, podemos dizer assim. É como abrir uma porta secreta, entrar em um quarto proibido e se encontrar com o desconhecido. Mas mudar também é uma aventura que somente os fortes decidem assumir e enfrentar.
        A humanidade vive em prisões internas, envolta em culturas que, muitas vezes, obrigam os seres humanos a adotarem comportamentos distintos dos seus instintos naturais. Convenções e formas de comportamento são capazes de mudar e também estagnar a humanidade em uma bolha de falsos conhecimentos, sem nenhuma porta para abrir e enfrentar um novo mundo.
       Grandes homens e mulheres entregaram a própria vida em prol das mudanças necessárias. Foram capazes de ver uma luz que cegava muitos e iluminava os caminhos de poucos. Juízes e torturadores cumprem suas justiças apenas baseados em leis? Totalmente não. Imagino que muitos se comportam como inimigos das próprias convicções e permanecem na escuridão pessoal ou comunitária apenas por medo de enfrentar seus próprios fantasmas.
        Alimentar-se das próprias convicções performa indivíduos que não têm a capacidade de se libertar e pensar por si mesmos. São culturas, comportamentos, formas de lidar com a natureza que são submetidas a leis sem sentido, baseadas em dogmas e conceitos que ruem diante de simples argumentos.
       Fazer críticas sobre a própria vida é o ponto de partida para mudar e encarar o mundo. Um simples exercício de argumentação seria substituir os nomes, lugares e comportamentos quando estamos diante de algum julgamento: se aqueles de que eu gosto, sejam pessoas ou lugares, substituíssem aqueles que eu julgo, a minha maneira de pensar mudaria ou não?
        Desafiar as mudanças é mudar a nossa maneira de ver o outro que nos incomoda. Vê-lo, simplesmente, como inimigo torna a nossa tarefa extremamente facilitada, porque o julgamento já está pronto. Devemos lembrar que o mundo gira como uma roda sem fim e as mudanças vão acontecendo, independentemente das nossas vontades. Portanto, o exercício de julgar também passa pelo desafio da mudança: mudar para ser melhor e não pior.
       A simplicidade de pensamento é o início da mudança. Assim como a criança, coberta de porquês, que descobre o mundo, devemos nos encher desse pronome para questionar não só o mundo, mas a nós mesmos. Por que sou assim? Por que me comporto assim? Quem sou eu ou quem eu desejo ser?
       Questionar a si mesmo e depois o mundo é o real desafio para mudar.

Origem da foto: Foto de Erda Estremera na Unsplash

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Nilson Lattari

Nilson Lattari é carioca, escritor, graduado em Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e com especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Gosta de escrever, principalmente, crônicas e artigos sobre comportamentos humanos, políticos ou sociais. É detentor de vários prêmios em Literatura

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