
O que eu quero ser
A cada criança, pergunta-se sempre o que quer ser quando crescer. Isso me incomoda porque uma criança quer ser alguma coisa, fazer alguma coisa naquele instante, naquele presente momento, e não precisar crescer para decidir o que deva ser. É claro que ela responderá coisas de adultos como: desejar ser um médico, um professor, um cientista, um piloto de avião e outras coisas. Os adultos sorriem satisfeitos, imaginando que ela será aquilo, e não lhes passa que desejar ser não comporta o que será, de fato.
Uma criança deve ser aquilo que quiser, enquanto tem todo o tempo do mundo para não se preocupar com os problemas dos adultos. Nada melhor do que crescer em um mundo de fantasia e despreocupações, infelizmente para poucos e poucas, preocupando-se em se divertir e brincar.
Outras crianças não têm a mesma sorte. E a pergunta, apesar das dificuldades, sempre lhe é dirigida: o que você vai ser quando crescer?
Essa certeza traz um incômodo, mais do que um desejo de criança, um pedido dos pais para que tudo se realize, porque eles sabem que as coisas não são tão simples assim.
A pergunta deveria ser o que te faz se sentir melhor, onde está o lugar onde você se sente melhor, em cada estágio da criação, porque essa ideia de ter um lugar para se sentir bem é que deveria ser o destino de todos e todas.
Na fase adulta, essa pergunta continuará a perseguir o ser humano por toda a vida: o que você quer ser? Ou, afinal, o que você vai ser na vida? A grande questão de querer ser alguma coisa abandona outra questão mais importante: o que eu não desejo me tornar?
Todos e todas desejam ser alguém dentro da sociedade. Alguns se tornam, de fato, alguma coisa na vida, não porque desejam aquilo, mas porque consideram que suas escolhas são benéficas para terem uma vida confortável, com determinado poder sobre as coisas, estarem acima da média e se aproximarem dos maiores, tanto em capacidade intelectual quanto em dinheiro.
Depois que se tornam o que desejam, os indivíduos se tornarão o quê? Bons profissionais que enxergam seus pacientes, clientes, pessoas como seres humanos? Como será o tratamento a ser dado a eles? Serão apenas indivíduos gananciosos com o desejo de serem maiores e mais opressores?
Bons profissionais se tornam profissionais, mas deveriam se tornar seres humanos, entregando à humanidade benefícios que a sorte lhes proporcionou. É como dar de graça aquilo que você recebeu de graça. Mas esse barato não significa desdenhar os bens, não desejar coisas materiais, mas não colocá-los à frente das decisões que vão agredir, de alguma forma, o ambiente e os seus semelhantes
Ao longo da vida nos transformamos em seres humanos diversos. Nos adaptamos ao mundo, e nos adaptamos às nossas ambições. Mas deve haver um momento quando devemos nos perguntar: no que eu me transformei?
Na fase adulta, mais amadurecida, quando fazemos um balanço das nossas vitórias e derrotas, seremos indivíduos, muitas vezes, totalmente diferentes dos nossos desejos; ou não. Se poucos nos perguntassem o que queríamos ser, mas muitos se preocupassem em nos preparar para sermos, nossos desejos estariam aquém da ambição, e além da humanização.
Na verdade, só descobrimos quem somos quando o mundo nos desafia a respeitar o próximo.
Origem da foto: Foto de @felirbe na Unsplash
SUBSCREVA PARA RECEBER NOVOS POSTS
#OQueQueroSer#InfanciaEFuturo#DesenvolvimentoHumano#Humanizacao#ReflexaoDeVida#PropositoDeVida#EmpatiaEValores
Views: 5