
Paz e igualdade
Paz e igualdade são coisas que caminham juntas. Para se ter paz no mundo, é necessária a igualdade entre todos; em resumo, para alcançar a igualdade é necessário ter paz. Porém, apesar de as duas frases serem conexas, podem ser vistas a partir de perspectivas diferentes.
A paz é a condição para que todos se acalmem e encontrem as soluções para os problemas comuns. Não há paz quando a busca pela divergência e o confronto são os únicos parâmetros. As pessoas imaginam a paz e, no entanto, os caminhos para chegar a ela são complicados. Por mais incrível que pareça, é fácil notar uma certa má vontade em compreender o próximo, porque suas demandas não passam de reclamações sem sentido, enquanto aqueles acham que as demandas do outro são frutos da sua própria arrogância e de uma visão de mundo partida e conectada ao seu mundo particular. É muito difícil alcançar a igualdade quando alguns não veem a igualdade como alvo, mas como forma de eliminar o próximo, ou seja: uma guerra seria a condição para se alcançar a paz? Mas seria possível uma igualdade posterior? Ou a luta continuaria, eliminando as possibilidades de igualdade?
Somente quando todos estiverem nas mesmas condições de oportunidades será possível a distribuição das riquezas da terra, e finalmente alcançaremos a paz, diria a outra perspectiva. Para alcançar a igualdade é necessário eliminar as diferenças. O que seriam as diferenças? Remuneração, gênero, condições sociais e muitas outras. Muitas delas criadas a partir dos preconceituosos e da visão de que o próximo não é necessariamente aquele que está ao lado. Procurar o próximo entre os membros da igreja, do trabalho e do lazer não é uma coisa muito difícil de acontecer. Até porque as relações são estabelecidas em tempos marcados e demarcados por fatores específicos. Depois disso, as relações são distantes, e não conhecemos os nossos próximos como eles são na sua vida cotidiana. As disputas por espaço e poder são preponderantes para estabelecer hierarquias, e estabelecer diferenças entre as pessoas. Não pode haver paz onde há qualquer disputa, porque a paz requer o espaço único para viver e se desenvolver.
Abraços eliminam espaços e conexões humanas se estabelecem na boa vontade entre os homens. As diferenças sociais e econômicas podem sempre existir, mas a busca da igualdade está na empatia, no entendimento do próximo e aceitar que não podemos resolver todas as questões econômicas, mas podemos resolver dentro de nós as compreensões humanas. Ser diferente não é ser inimigo, e é possível viver em um mundo de paz com o diferente. Mas não é possível ver o diferente sempre igual: nos preconceitos raciais e culturais, por exemplo.
Nunca teremos um mundo igualitário e um mundo de paz. Não é uma questão de ceticismo, mas de aceitação. Até que compreendamos que a conexão com o próximo está em imaginar ser aquele: quando somos pobres, como gostaríamos de ser tratados; sendo pretos; gays; com alguma deficiência física ou mental. Não é possível se colocar no lugar do outro, mas dá para imaginar, usando a empatia.
O que une a paz e a igualdade é respeitar e tolerar, mas observar que a nossa tolerância não é para aceitar tudo, mas para respeitar os limites culturais do outro. E que cada um viva a sua cultura e o seu ser na sua paz.
Origem da foto: Foto de Priscilla Du Preez 🇨🇦 na Unsplash
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