Crônicas

IA: De onde vem e para onde vai?

         A IA, hoje, se tornou a ferramenta ideal para trabalhar em várias facetas do mercado de trabalho. Seria uma ferramenta perfeita para poupar o tempo e poder questionar temas sem a interferência humana ou a interação social. A primeira questão é sobre a inteligência da IA. Deveríamos considerar a inteligência digital como uma inteligência ou como um arquivo imenso de dados que são manipulados vai se saber por quem?
         Essa foi a pergunta que me fiz há algum tempo: há inteligência atrás desse componente digital ou não? Se damos um martelo para um profissional, ele saberá como usá-lo. Se damos um martelo altamente sofisticado para o mesmo profissional, é possível que ele utilize essa ferramenta de uma maneira exponencial, explorando suas potencialidades: do martelo e dele mesmo. A sofisticação de uma ferramenta de trabalho nos causa espanto e descobertas. Afinal, estamos vivendo as maravilhas tecnológicas que a ficção científica nos instigou no passado.
         Mas uma ferramenta sofisticada pode também realizar maldades nas mãos do profissional sem ética ou mal-intencionado. Como separar a informação correta se a IA explora um universo sem dono e sem lei, onde todos podem colocar aquilo que bem entendem? Transformar a realidade em algo irreal e, ao mesmo tempo, tangível, faz com que acreditemos em qualquer coisa postada, e sem saber se aquilo é real, irreal ou fabricado com intenções espúrias. Existirá realidade diante de uma ferramenta que filtra e dá versões otimizadas? E a conexão humana onde estará, funcionando ao mesmo tempo em um mundo virtual e real, sem sabermos com qual deles estamos interagindo? Desligamos o pensamento crítico e adotamos a preguiça mental de deixar que “outros” façam nosso trabalho de pensar o mundo e nos impedir de ver a realidade nua e crua?
           A nossa batalha é transformar essa inteligência feita para nos facilitar a vida em algo que aumente, e não diminua as interações sociais.
Tudo perguntamos a ela e esquecemos de perguntar ao nosso próximo o que podemos fazer por ele, ou o que ele pode fazer por nós.
         O controle das big techs é algo fundamental em nossas vidas. As leis e os ensinamentos de interações sociais estão um passo ou mais atrás da evolução tecnológica. Ao contrário de nos servir e facilitar as interações, como foi idealizado no passado, o mundo da internet passou a ser um mercado financeirizado, adotado por monetizações, e fazendo as pessoas fazerem coisas inimagináveis para poder viver nele. A quantidade de pessoas que decide abandonar seus trabalhos formais para se dedicar à preguiçosa arte de falar e fazer bobagens pode tornar nosso mundo em algo completamente imprevisível no futuro.
         A IA deixa de ser uma ferramenta para facilitar nossas vidas, e passa a ser um instrumento facilitador daqueles que ressuscitaram o mote do século passado que é: como ganhar a vida sem fazer força.
         Os filmes de curta-metragem, na época analógica, falavam de uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Hoje, temos um celular na mão e nada para transmitir de bom, apenas as dissenções e coisas grotescas para monetizar e ganhar dinheiro. E ninguém se importa que o mal se dissemine.
          A IA e a saúde mental parecem ser coisas que não combinam. Seguidores (e são muitos), se deleitam vendo a vida de influencers, como se viver a vida do outro fosse a realidade, para abandonar as suas vidas reais em troca de fantasias.
          Afinal, onde está a inteligência da IA? E a nossa, o que fizemos dela?

Origem da foto: Foto de Andrea De Santis na Unsplash

SUBSCREVA PARA RECEBER NOVOS POSTS

Views: 157

Nilson Lattari

Nilson Lattari é carioca, escritor, graduado em Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e com especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Gosta de escrever, principalmente, crônicas e artigos sobre comportamentos humanos, políticos ou sociais. É detentor de vários prêmios em Literatura

Obrigado por curtir o post