Expectativa versus realidade
Fazer planos é uma rotina e um desejo de cada um de nós, a questão é que não combinamos com a realidade, e ela, muito matreira, nos nega algumas coisas e, em troca, nos proporciona experiências diferentes e surpreendentes e, também, frustrantes. Lidar com a realidade é sempre algo curioso, porque esquecemos que os nossos sonhos precisam de uma série de fatores que implica colisão com os sonhos de outros.
Se decidimos levar uma vida mais calma e tranquila, caminhando devagar ou tomando decisões bem pensadas, somos colocados diante de dilemas desconcertantes, quando os eventos exigem que pensemos rápido. Essa adrenalina de pensar rápido e acertar nas decisões cria uma euforia que nos faz pensar que somos, ao final de tudo, vencedores; pedimos esperteza para decidir e, ao mesmo tempo, essa esperteza advém do pensamento rápido e afiado.
Quando imaginamos uma vida calma e serena, colocamos nossas rotinas em xeque, porque dependemos sempre de alguma coisa ou de alguém, para que as nossas vidas fluam. Se o transporte público atrasa, se a internet cai no momento exato em que mais precisamos dela (e todos os momentos são importantes), se algum distúrbio na casa, um vazamento fora de hora, um boleto que esquecemos de pagar acontecem, a realidade vence a fantasia e somos colocados no modo desespero, para tentar voltar ao nosso “normal”.
Vivemos em uma realidade onde a própria ausência da novidade é um bem maior do que uma novidade boa ou má. Não acontecer nada pode ser uma benção para nós, porque o nada pode ser o melhor e a vida continua sem surpresas, sejam boas ou más.
A falta da companhia ou, pelo menos, da companhia que nós desejamos, possivelmente gera mais frustrações e reflita melhor essa incompatibilidade entre a expectativa versus a realidade. Querer do outro o reflexo dos nossos desejos, quem sabe, seja o maior grau de confronto com a realidade. Relacionamentos foram imaginados para durar sempre, como o amor, algo tão maravilhoso que nunca deveria terminar. No entanto, a realidade demonstra que essa sintonia pode desafinar e entrar em crise. A violência, advinda dos relacionamentos que se desfazem por diversas razões, é a maior frustração que podemos ter. Assim como o momento que recebemos a notícia de que a nossa presença no emprego não é mais necessária, quando, justamente, achamos que demos o nosso melhor, mas o “custo” de manter esse nosso melhor é muito para quem se beneficia dele.
Lidar com a frustração é a maior dificuldade que temos na vida. Quando estabelecemos uma direção e tentamos seguir por ela, o universo decide coisas que não imaginamos. O cuidar de si é a decisão mais importante quando pensamos em nosso futuro. Há um certo egoísmo nisso, e a independência pessoal diante dos eventos é necessária. É claro que não podemos generalizar isso incluindo pessoas vulneráveis com outras em condições melhores. Se há solução, ela deve estar escondida, mas escondida em cada um de nós: amar a si próprio é o mais importante, mas cada um de nós é diferente e se salva aquele que consegue nadar contra a própria correnteza da vontade e buscar a lógica. E encontraremos o resultado da equação: expectativa versus realidade.
Origem da foto: Foto de XR Expo na Unsplash
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