Crônicas

Aprender e compreender

         O viver não pode ser o medo do futuro. De uma certa maneira, temer o que vem pela frente e enfrentar o desconhecido seja o desafio que temos. O futuro é bem-vindo, então por que temê-lo?Para aqueles que têm uma vida cheia de privilégios, o futuro não traz o temor; é apenas o divertimento que ainda não se viveu. Para a grande maioria da população, o futuro é uma reserva temida, porque cedo ou tarde a realidade se impõe e o sujeito verá o quanto lhe faltou de passado para poder enfrentar o futuro.
         Existiria alguma chave que pudesse evitar essa força que se avizinha, como a tempestade inevitável?
         A diferença entre os grupos é que o futuro, sendo previsível e nada a temer para um lado, o outro lado o teme porque o pouco que tem é possível perder.
         No entanto, nesta questão entre o temer e o não temer existe o compreender.
         É necessário compreender o futuro e não temê-lo.
      Compreender o futuro, para aqueles que o temem, é entender as possibilidades reais e não as imaginárias. É muito legal alguém se imaginar, no futuro, como um ser muito além das possibilidades. Apesar de existirem os professores do caos que pregam que o futuro somos nós que o fazemos, é exatamente o caos que o desfaz. O futuro é esse ser incontrolável e distante que não se importa com os sonhos de ninguém.
       Não podemos sonhar os sonhos dos outros. Não podemos sonhar ou embarcar nas distantes compreensões que os mais abastados têm. São mundos à parte que não se conectam. E o elo que desfigura os dois grupos é, justamente, o temor.
       Há uma certa compreensão de que certos objetivos são inalcançáveis. E, nesse caso, o grupo menos favorecido culpa a si mesmo ou alguma divindade que os ignora e que lhes dá o destino “merecido”.
        As grandes conquistas, no entanto, não estão reservadas aos bens materiais. Não que eles sejam desnecessários, mas há necessidades que são abastecidas pela propaganda e pelo estímulo, que as forças mais poderosas impingem aos mais fracos, como se as conquistas de coisas fáceis, para alguns, fossem propícias para outros.
      Essa compreensão do futuro é o que afasta o temor do tempo que está chegando. Qual o futuro desejado? O futuro que me satisfaz ou o futuro que satisfaz a outros e está muito longe das possibilidades?
        Viver o sonho que outros vivem é a causa do temor. De que aquele modelo deva ser desejado e perseguido.
      Na verdade, não é isso. Cada um tem o seu futuro reservado, construído por si mesmo. Isso leva alguns a considerar seus pequenos ganhos como irrisórios, quando um grande esforço para consegui-los foi muito mais digno e triunfante do que aqueles que começam sua escalada a partir dos ganhos de outros.
       Isso é a compreensão, portanto, nada há a temer.

Origem da foto: Foto de Viktor Forgacs – click ↓↓ na Unsplash

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Nilson Lattari

Nilson Lattari é carioca, escritor, graduado em Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e com especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Gosta de escrever, principalmente, crônicas e artigos sobre comportamentos humanos, políticos ou sociais. É detentor de vários prêmios em Literatura

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