Beleza e perigo nas curvas
A vida não é uma linha reta e se assim fosse, ela não teria as emoções das descobertas. Neste itinerário sinuoso, as curvas escondem as belezas e os perigos do conhecimento, daquilo que vamos ver ou ouvir e a surpresa do descobrimento. Viver, assim, encerra os momentos de sinuosidade que defrontamos.
Um rio é como o nosso destino, a nossa trajetória que vai no seu caminho até o próximo rio ou vai desaguar no mar. Ele acompanha a sinuosidade da natureza, sendo algumas vezes queda e outras vezes leveza, contornando os obstáculos resistentes ou afogando aqueles que são pequenos, como se nada importasse na sua viagem: enfrentar ou contornar as dificuldades e não dar vez para as coisas menos importantes.
O vento segue seu curso e esconde na sua fluidez as contorções que faz para passar pelos obstáculos. Algumas vezes ele é curva, quando inclina os arbustos pouco resistentes, outras vezes é desvio quando encontra a floresta densa. Às vezes, ele é a brisa que suavemente viaja por entre as árvores, como o amante insistente beijando as flores que se inclinam à sua passagem. Toda sinuosidade lembra belezas e perigos, como as curvas de um corpo que apaixona quem o vê ou que se esconde e se mostra aos insistentes.
Um carro que avança velozmente, quando encontra a curva, pode encontrar o perigo, enquanto outro, que avança devagar e contemplativo, encontra, depois da curva, a paisagem e o abrigo para os olhares de descobertas.
Depois das curvas é a chegada na cidade que se ama. Depois das curvas, as janelas da casa se abrem para a chegada do viajante. Depois das curvas mais uma reta se estende, demonstrando que a viagem ainda está longe de acabar. Depois das curvas, dos beijos e dos desejos saciados, dois amantes se entregam ao sono, entremeados de sonhos e sensualidades.
Os rios, o vento, as viagens são como a vida, repletas de sinuosidades. Muitas vezes nos curvamos diante das dificuldades, dos contratempos, como se nossa inclinação provocasse a fuga dos nossos problemas.
O pensamento daquele que duvida demonstra as idas e vindas das decisões e enxerga o outro lado da questão. Sinuoso também é aquele que engana, que corrompe, demonstrando sua capacidade de envolver e seduzir a vítima, como a serpente que se enrola em curvas para abraçar seu oponente.
Uma notícia má é cheia de curvas para não melindrar o ouvinte. O convencimento passa por caminhos longos e indefinidos, como curvas que a mente vai dando até que o clima se instale e a realidade se consuma.
Sobreviver é um ato de manipular curvas quando a situação é limite. É um sair de cena para passar despercebido, como nossa sombra, esgueirando-se pelas esquinas, que contorna as casas, os postes, ficando invisível, mas mostrando as curvas e os meandros para escapar dos riscos.
Somos seres maleáveis, cheios de curvas silenciosas e invisíveis. Nascemos para ser um rio em linha reta e terminamos sendo a própria vida buscando seu sentido.
Origem da foto: Foto de Rachel Oliveri na Unsplash
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