
Melhor dos melhores
De todos os animais que vivem nesse mundo, o homem é tido como o melhor, digamos, no sentido de se proteger e evoluir de forma eficaz em um nível estratosférico, em relação aos seus correlatos.
O que de melhor um animal faz é sobreviver e viver a plenitude de sua vida, até o ocaso final, como um roteiro pré-definido; chegar à vida, viver a vida e ir embora. Sem fazer coisas melhores ou piores, simplesmente sendo o que é.
O mesmo ocorre com o ser humano que vive as mesmas fases em sua passagem pela terra. No entanto, ele tem a capacidade de prolongá-la com o uso da ciência e de torná-la menos árdua. E, nesse caso, há controvérsias, porque essas possibilidades não são para todos. Além disso, o ser humano tem a capacidade de se sobrepor aos seus algozes, semelhantes ou não, com o uso de tecnologias diversas.
Tendo tanto poder sobre os outros, presumivelmente, o ser humano deveria ser o melhor, no topo dessa cadeia alimentar, ou seja, mais magnânimo, protetor, etc. No entanto, a realidade é bem diferente.
O ser humano poderia ser o melhor dos melhores, caso desejasse. Ele pode se comportar maravilhosamente bem ou espetacularmente mal. Claro que quando vemos a natureza funcionando com as cenas dantescas de predadores em seus habitats, ela nos parece terrível. No entanto, não há excesso, apenas consumo suficiente. Um predador não mata indiscriminadamente, a menos que se sinta ameaçado por outro mais forte. É o que eles fazem de melhor e não há nada de pior nisso.
O homem, quando está fazendo o seu melhor, demonstra, na sua atitude, uma nobreza irrepreensível. Ele está naqueles que protegem a natureza, a utilizam de forma sustentada e cuidada, mostra a capacidade do ser humano de estar entre os melhores dos melhores.
O ponto contrário é quando ele se torna o pior.
Nesse ponto, entramos no terreno da justiça, uma instituição que ele criou para, justamente, proteger o ser humano de seu predador natural – o seu semelhante. A justiça existe para proteger o homem dos seus piores semelhantes, e ele se torna o melhor porque se sente protegido por ela e pelas leis estabelecidas.
O que faz o homem se tornar o pior é quando este instrumento falha. Ele se vê nas portas da injustiça e precisa, como o predador que se protege do seu caçador, usar as forças que tem. É o pior dos mundos, e é esse mundo que faz o que de pior o homem é capaz de conceber.
O que nos torna melhores é essa rede social de proteção. Nos sentimos seguros diante do nosso pior semelhante, e podemos, nesta ilha de tranquilidade, encontrar tempo para sermos os melhores.
A batalha é árdua como uma selva ou uma vida sem leis. Na solidão dos cantões de um país, dentro de casas, a lei não é suficiente para agir, como um ente super-herói que aparece em pleno voo para exercer a justiça. Nessa selva do isolamento, onde o predador encontra sua vítima, é que o pior do homem aparece. O pior aparece na atmosfera da covardia, quando o instinto de eliminar o outro não está na sobrevivência, mas em uma doença que faz com que o seu pior apareça.
Ao contrário dos animais na natureza, presumivelmente, não existem o leão, o macaco ou qualquer outro psicótico com o instinto puro de matar. E nisso, quando queremos, somos os melhores dos piores.
Origem da foto: Foto de Giorgio Trovato na Unsplash
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