UMA PULGA ATRÁS DA ORELHA

Era uma vez uma pulga… atrás da orelha.

Como toda pulga atrás da orelha era muito desconfiada.

Desconfiava, até, do tamanho da orelha.

E também das coisas que se diziam ao pé do ouvido.

Que por ser, também, muito desconfiado, ficava ali sempre parado, com o seu pé atrás, e nada de querer ir para outros lados, atrás de outras orelhas com pé no ouvido.

As notícias chegavam sempre fresquinhas.

Algumas saborosas, apetitosas.

Outras horrorosas, que mudavam toda hora a pulga atrás da orelha.

Quando a orelha andava, a pulga atrás da orelha olhava tudo muito desconfiada.

Como se tratava de uma orelha feminina, desconfiava de tudo que lhe diziam,

principalmente se fosse baixinho, quase num sussurro.

Alguns faziam até cócegas e davam arrepio.

Mas se deve desconfiar de tudo.

Outras vezes ela encontrava outras pulgas atrás de outras orelhas,

sempre que se tocava uma música ou se trocava um abraço.

Mas havia outras vezes em que as outras orelhas não tinham pulgas, com orelhas na frente.

Aliás, não tinham nada, nem na cabeça.

Ali bem pertinho, no andar de cima.

Mas o bom mesmo era quando a orelha que tinha uma pulga atrás dela,

deitava bem quietinha junto do travesseiro e aquela orelha cheirosa,

macia, gostosa, fechava com um abraço sincero e deixava a desconfiança lá fora,

e virava uma pulga dorminhoca.

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