Ao que parece, o programa de Fábio Porchat e Tatá Werneck não é apenas uma piada, um programa sem ou com imaginação demais, é apenas uma forma de arte que copia a vida.
        Do episódio que ocorreu no programa “Esquenta!”, a propósito do participante do programa que foi assassinado, da suspeição em torno da provocação de lágrimas da mãe da vítima até o acidente da família Huck em seu avião, uma sucessão de fatores que demonstram que, em busca da audiência, o vale-tudo é presente.
        Até quando, este tudo pela audiência não se confunde com as notícias a serem apresentadas na forma burlesca, no sentido mesmo da burla, do controle da audiência?
        Depois dos assassinatos de reputações, temos a vitimização de celebridades. Quantas tragédias acontecem no país, e, ao contrário da realidade, as câmeras fotográficas ou de filmagens não se aglomeram na frente dos hospitais? São as mídias ou a população que, espontaneamente, procuram isso, ou as mídias alimentam isso porque provocam audiências? Uma coisa puxa a outra? Entrevistas, esclarecimentos sobre o que aconteceu, o que sentiu, tudo é motivo para esticar, provocar, unir, celebrar, denunciar, um monte de verbos.
        São tragédias também, é claro! Mas, as celebridades têm uma aura de vagar sobre o mundano, que, atingidas pela normalidade em geral, ganham ares de clamor. Que bom seria que todas as coberturas de tragédias, comuns no cotidiano, ganhassem contornos de ribalta, ecoassem pelos bares, botequins, provocassem choros, corridas aos hospitais para atender os acidentados do dia a dia. E servissem de alertas. Ao que parece, reverberar tragédias do homem comum é apenas um motivo para levantar libelos políticos. A grande diferença é o fato, segundo as notícias, de agradecimento do piloto à celebridade e ao governador do estado, onde ocorreu o acidente, que providenciaram a remoção do acidentado para um hospital melhor. Onde a arte imita a vida, neste caso?
        Em tudo pela audiência, o acidente deve reverberar pelo programa do Faustão, um caso especial no Fantástico, com direito ao especialista, e essa invenção horrível, de especialista em riscos, como se aviões ao darem defeito, não tivessem como única alternativa, cair, assim como um fósforo aceso em lugar próprio não provocassem o óbvio.
        Talvez sobre até para as autoridades, porque, em tudo pela audiência, nada como esticar os argumentos até que a coisa gere algum fruto, alguma denúncia, coisas que se fazem pela audiência.

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