Crônicas

Em busca de si mesmo

        Muito se diz sobre o encontro de pedras preciosas onde existe a lama. É preciso buscar em meio àquilo que não tem valor comercial (prefiro dizer assim) os tesouros escondidos. Tesouros também são conhecimentos. E até mesmo quando regamos as belas flores dos nossos jardins as ervas daninhas, e todas aquelas que não gostamos também são regadas. E elas florescem, apesar do nosso zelo em retirá-las dali, e sempre vai sobrar uma semente para germinar. É como se comparássemos ao mal, mesmo considerando, metaforicamente, que uma planta, sendo uma planta, não seja, necessariamente, o mal.
         Quando imaginamos algo ideal em nossa vida, algum alvo a atingir, devemos considerar que também alimentamos aquilo que nos faz mal. Essa postura se coloca naqueles que, em busca dos seus alvos, alimentam a discórdia, as desavenças para que possam abrir caminhos. O mal, nesse caso, é um parceiro e, como erva daninha, sempre vai conservar uma semente para florir mais adiante.
          Se não mudamos por completo a nossa maneira de pensar, sempre de forma positiva, as coisas boas florescem, apesar do mal sempre estar presente para tentar consumir nossas vitórias.
        Quando buscamos nos encontrar, nos conhecer, é importante reafirmar tudo aquilo que temos de bom através de pensamentos confiantes, não nos incomodando com a vitória alheia, mas com a nossa. E também pensar que, no meio disso, temos o nosso lado não tão bom assim e não deixar que ele floresça. Como escrevi antes, os fatos negativos que temos podem florescer, e nos cabe mantê-los sob controle, como a inveja, a vingança e a vontade de retribuir algum mal que recebemos.
       Ele está ali, como semente, pronto para florescer. Na busca de nos encontrar é importante lembrar que também regamos as rosas do nosso jardim, e devemos estar atentos para colocá-las à parte, sempre protegidas.
        A busca de si mesmo é uma luta constante entre o bem e o mal, entendendo o que seria o bem para nós e o que pode nos fazer mal também.
      Ética deveria ser a parte mais querida do nosso jardim. Se temos o amor, ele deve ser a escolha entre amar o que desejamos e, portanto, se não possuímos algo, amar o que temos e procurar conservá-lo e deixá-lo fluir. E, finalmente, o amor pelo outro, no sentido de que a busca de si mesmo não pode participar da destruição ou do aniquilamento daqueles que concorrem conosco: saber perder é a maior lição.
       Alguma coisa de bom sempre existe guardada no jardim, que vai florescer muito mais rápido e mais forte do que os fatos negativos que abundam a nossa existência.
       Devemos compreender que um jardim, por mais cuidado que se tenha, um dia pode ser arrasado por uma intempérie, uma praga ou, simplesmente, pela inveja de alguém. A busca de si mesmo envolve protegê-lo, guardá-lo e cuidar dele.
       Porém, não há rosas que não sejam atacadas e não há erva daninha que resista a nossa vigilância. Tê-las, ambas, não é, necessariamente, um paradoxo. Ambas nos ensinam a arte da admiração e também nos ensinam a arte de separar o bem do mal. E, para regar a rosa, precisamos regar a erva daninha, porque, para conhecer o certo, precisamos conhecer o errado.

Origem da foto: Foto de Salman Sidheek na Unsplash
SUBSCREVA PARA RECEBER NOVOS POSTS
#EmBuscaDeSiMesmo #Autoconhecimento #EvolucaoPessoal #EticaEEssencia #BemEErvaDaninha #SabedoriaDeVida #CrescimentoInterior

Views: 4

Nilson Lattari

Nilson Lattari é carioca, escritor, graduado em Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e com especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Gosta de escrever, principalmente, crônicas e artigos sobre comportamentos humanos, políticos ou sociais. É detentor de vários prêmios em Literatura

Obrigado por curtir o post