Autor: Nilson Lattari

Crônicas

Redemunho, o caminho para a calma

O texto reflete sobre o provérbio “depois da tempestade vem a bonança”, explorando como os “redemunhos” da vida — crises, traições e decepções — funcionam como processos intensos de aprendizado. O autor analisa que o caos muitas vezes nasce da distância entre nossas idealizações e a realidade nua e crua, transformando o mundo em um vórtex de incertezas. Seja por escolhas próprias ou por atos de terceiros na sociedade, somos constantemente tirados da nossa zona de conforto. Contudo, a crônica defende que a sobrevivência a esses períodos conturbados exige tenacidade e a plena noção de nossa capacidade de superação. Ao final, o redemunho deixa de ser apenas um distúrbio para se tornar uma nova forma de viver, agindo como um motor essencial para a evolução da consciência e o amadurecimento humano ao longo do tempo.

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Texts in English

To do good

This reflective text challenges the conventional understanding of “doing good” by highlighting the stark contrast between spiritual theory and daily practice. The author argues that while many repeat mantras of kindness within religious spaces, these feelings often vanish once they face the real world. True wisdom is defined as an inner fulfillment that nourishes the soul, yet it remains rarely practiced as a systemic solution. The narrative critiques the “spiritual bargain” where charity is performed merely to secure a place in heaven, rather than out of genuine empathy. Furthermore, it addresses the toxicity of meritocracy and how it labels the suffering as “losers.” Ultimately, the text calls for a shift in perspective: instead of temporary charity that maintains poverty, we should strive to build social conditions where goodness is the foundation of justice, rather than a fleeting exception.

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Crônicas

Gritos no silêncio

O texto explora a profunda metáfora do “grito silencioso”, descrevendo a sensação de isolamento e desamparo que muitos enfrentam, mesmo inseridos em multidões urbanas. O autor convida o leitor a observar além da massa anônima, identificando a angústia nos olhos daqueles que lidam com demissões, lutos, preconceitos e desilusões amorosas. A obra ressalta a contradição humana: socorremos rapidamente um corpo caído na rua, mas ignoramos os olhares de desesperança dos que jazem na invisibilidade das calçadas ou na timidez dos escritórios. Aborda questões críticas como racismo, identidade de gênero e a solidão das perdas familiares, onde o grito é sufocado pelo medo do julgamento. Ao final, o texto aponta a empatia como a única ferramenta capaz de restaurar nossa audição espiritual, permitindo-nos acolher as vulnerabilidades alheias e romper o ciclo da indiferença.

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Textos en español

Lo qué nuestros ojos ven

El texto plantea una crítica punzante a la indiferencia humana, utilizando la mirada como metáfora de nuestra complicidad ante el dolor ajeno. El autor argumenta que, aunque nuestros ojos están físicamente abiertos, “fingimos no ver” las injusticias cotidianas, como la situación de las personas que viven en las calles. Al comparar nuestra postura actual con la esclavitud del pasado, el texto sugiere que las generaciones futuras nos juzgarán con la misma dureza con la que nosotros juzgamos a nuestros antepasados. Se denuncia que problemas como el racismo y el prejuicio persisten bajo la excusa de que “la cultura es así”. Finalmente, describe la mirada como una “ventana del alma” que, irónicamente, se cierra para no iluminar nuestro interior, convirtiéndose en una cortina que oculta la vergüenza de nuestra propia falta de humanidad frente al sufrimiento de los demás.

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Crônicas

Invencionices

O texto mergulha no universo das narrativas pessoais, diferenciando as histórias reais daquelas “estórias” repletas de invencionices e drama. Com um tom bem-humorado, o autor explora desde o medo de ter segredos revelados até o prazer de repetir memórias que nos orgulham. Personagens clássicos do cotidiano são citados, como o “tiozão” que ri das próprias piadas e o amigo “professoral” que é uma enciclopédia viva. A crônica faz uma viagem no tempo, imaginando que o hábito de “dar um colorido” às façanhas vem desde os homens das cavernas. No fim, o autor defende que, seja através de fatos vividos com amigos de infância ou de mentiras inofensivas para alegrar a audiência, ter histórias para contar é o maior sinal de que estamos integrados ao mundo e verdadeiramente vivos.

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Texts in English

What does it mean to be human?

The documentary Human serves as a profound catalyst for questioning our species’ identity, showcasing 2,000 diverse voices sharing their struggles, joys, and tears. While the film suggests that to be human is simply to feel and survive, this text digs deeper into the unsettling parallels between humans and animals. It explores the idea that while we share evolution and death with nature, our unique grasp of ethics is often sacrificed for economic gain and personal interest. Humans have constructed a “particular food chain” where intelligence is used to suppress others, often turning life into a cold, competitive game. Unlike animals that act on instinct, we understand the distinction between cruelty and kindness yet frequently choose indifference. The reflection concludes that despite our advanced intellect, we struggle to follow the fundamental ethical lesson of loving our neighbor, as self-interest remains our ultimate priority.

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Crônicas

Buscando a melhor versão

O texto reflete sobre a perda da espontaneidade em um mundo dominado por filtros que criam “versões melhoradas”, porém falsas, de nós mesmos. O autor observa como a estética hoje busca padronizar sorrisos e aparências, contrastando com o passado, onde as imperfeições dos artistas revelavam sua humanidade. Desde o surgimento da televisão, a beleza foi priorizada em detrimento do talento, mas atualmente essa cobrança migrou para a pessoa comum, que se tornou um produto em busca de likes e visualizações. Citando o “Elogio da Loucura” de Erasmo de Roterdã, a crônica alerta para a insanidade de tentar manter uma juventude eterna ditada por algoritmos. A conclusão é um convite à gentileza consigo mesmo: libertar-se da necessidade de ser “consumível” e aceitar as imperfeições é a única forma de manter a saúde mental e viver com leveza.

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Textos en español

Poder ser rico y poder ser pobre

El autor propone una reflexión sobre la verdadera riqueza, entendida no como acumulación de bienes, sino como la capacidad de ser fiel a la propia historia y decisiones. Se critica la “pobreza extrema” de quienes abandonan su identidad para seguir fórmulas de felicidad vendidas por celebridades y expertos. El texto plantea un dilema final: la felicidad simple de quien ignora la fragilidad del mundo frente al sufrimiento consciente del “rico de espíritu”, quien comprende la complejidad de la vida y se atreve a cuestionarla.

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Crônicas

Excesso de tudo

O texto analisa a sociedade contemporânea sob a ótica do desequilíbrio e do excesso. Da mercantilização das profissões à tirania da exposição digital, o autor critica como o “bom senso” foi substituído por uma liberdade de expressão agressiva e por um fluxo ininterrupto de distrações. Entre o “linchamento virtual” e a ostentação como motor social, a realidade é sufocada pela fantasia de vidas coreografadas, onde o ser humano se torna um personagem descartável em um ranking de atenção que não admite pausas.

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Texts in English

Love and judgment

The text challenges the idea that impartiality requires a lack of love. It posits that judging through a purely mathematical lens is inhuman, as true justice requires empathy and compassion. While acknowledging that “love is blind,” the author redefines love as a moral attitude that seeks to understand others without resorting to revenge. Ultimately, love is seen as the preservation of integrity: being able to judge, forgive, or let go of someone without seeking their destruction, ensuring that self-respect remains the ultimate guide.

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