Autor: Nilson Lattari

Crônicas

Gincana de risos

Uma gincana de bairro mobiliza a comunidade em busca de objetos inusitados, culminando no desafio de obter uma peça íntima do morador mais idoso. A busca leva ao Seu Rico, um senhor que, prestes a sair para um namoro, revela não usar roupas íntimas por pura praticidade. Em um desfecho hilário e apoteótico, o próprio idoso é carregado nos braços como a prenda viva, celebrando a surpresa e a quebra de protocolos de forma inesquecível.

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Textos en español

Hacer el bien

El autor analiza la famosa frase “hacer el bien sin mirar a quién”, contrastando la teoría de los cultos con la práctica cotidiana. El texto cuestiona si la bondad se utiliza a menudo como un intercambio para asegurar un lugar en la eternidade o para alimentar el orgullo propio. Plantea una visión audaz: en lugar de celebrar la caridad, deberíamos construir sociedades tan equilibradas que el auxilio por hambre o frío ya no fuera necesario, eliminando así el “bien” que necesita del mal para existir.

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Crônicas

Previsões e erros

O autor explora a obsessão da humanidade em antecipar o amanhã, seja através de astros, cartas ou estatísticas. O texto reflete sobre como essa busca nasce da nossa insegurança perante a perenidade da vida e o medo do imponderável. Ao contrastar sociedades de destino rígido com a fascinante incerteza da vida moderna, a crônica conclui que a melhor previsão não vem de oráculos, mas do cuidado com a saúde mental e da prática de boas ações hoje, garantindo que a colheita futura não seja a solidão.

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Crônicas

A dor das coisas eternas

O autor reflete sobre a natureza do eterno, contrastando a finitude dos sistemas opressores com a perenidade dos sentimentos humanos. O texto discute como o mal consome quem o pratica, enquanto o bem se revela na solidariedade e na gratidão profunda. A crônica culmina em uma análise sensível sobre o amor e a perda, defendendo que a eternidade mais pungente é aquela sentida na falta do ser amado, onde a memória transforma um sentimento em uma dor que se recusa a findar.

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Texts in English

Infinite beauty

The essay examines the transition from beauty to the sublime, defining the latter as an untouchable, vast, and often frightening force. While beauty attracts through perfection, the sublime overwhelms the soul through magnitude—be it a raging river or the infinite reaches of space. It posits that facing forces beyond our control inspires a mix of fear and respect. Ultimately, the sublime is found in the act of overcoming: when art or nature challenges our destiny and forces a profound change in our behavior and spirit.

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Crônicas

Metáfora da existência

O texto propõe que a humanidade vive sob uma “metáfora da existência”, onde a mentira e a jactância (bazófia) se tornaram ferramentas de sobrevivência. Através da tecnologia e das redes sociais, construímos mundos inexistentes, escondendo limitações e fugindo da coragem de admitir falhas. O autor alerta que, ao nos apoiarmos na ignorância e na ostentação do que não somos, estamos edificando uma realidade impossível de sustentar, transformando nossa passagem pelo mundo em um rastro de fatos distorcidos e essências vazias.

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Textos en español

¿Cuantos años tienes?

El texto explora la edad como una construcción que va más allá de los números, analizando cómo la sociedad juzga la madurez y la juventud. El autor cuestiona las presiones estéticas, especialmente sobre las mujeres, y redefine la vejez no como una decadencia, sino como el conocimiento de los propios límites. Al final, el tiempo se presenta como un verdugo inevitable, pero el ser humano encuentra su victoria en la capacidad de luchar, sonreír y mantener su esencia a pesar de la finitud física.

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Crônicas

Vitrines quotidianas

O texto apresenta uma crítica profunda à desumanização contemporânea, onde indivíduos são reduzidos a dados estatísticos, gráficos de produtividade e padrões estéticos inalcançáveis. O autor explora como o “culto ao corpo” e a exposição incessante em plataformas digitais transformam pessoas em objetos de consumo (vitrines), sacrificando a privacidade e a competência em favor de aparências e likes. A reflexão estende-se à rotulagem social — como os termos “sem-teto” ou “imigrante” — que anula a subjetividade humana, transformando a vida em uma mercadoria descartável no cenário virtual.

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Texts in English

What our eyes see

The text explores the moral failure inherent in how we choose to “see” the world. It argues that our eyes are not merely passive observers but active accomplices in social injustice. By pretending not to see poverty, racism, and exclusion, we demonstrate a lethargy that mirrors the historical indifference shown during eras like slavery. The author suggests that while we criticize our ancestors, we remain blind to our own contemporary failings. Ultimately, the “window to the soul” is portrayed as a frozen stare—a transparent curtain that hides the reality of human suffering from our inner conscience.

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Crônicas

Diagnóstico do tempo

O texto apresenta o tempo como uma figura autoritária, um “senhor empedernido” que atua como um terapeuta cruel, impondo limites e diagnósticos sobre nossas expectativas. O autor utiliza a metáfora do consultório médico para descrever como muitas vezes aguardamos passivamente que o tempo resolva nossos males. No entanto, a crônica propõe uma virada libertadora: a independência nasce do ato de nos interrogarmos, transformando o tempo de carrasco em remédio. Ao realizar uma “anamnese” de nossos passos, deixamos de ser pacientes da rotina para nos tornarmos autônomos. A conclusão é poderosa: a cura não está em prever o tempo, mas em viver cada segundo com tamanha intensidade que, mesmo que o tempo nos abandone como um médico que desiste da medicação, a jornada terá valido por si só.

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Textos en español

Amor y juicio

Esta crónica explora la compleja relación entre el amor y la capacidad de juzgar, cuestionando si la imparcialidad requiere la ausencia de afecto. El autor reflexiona sobre cómo el amor a menudo nos vuelve “ciegos” o ingenuos, permitiéndonos perdonar lo que otros condenan, pero argumenta que un juicio basado solo en la fría lógica matemática carece de humanidad. Se analiza la justicia social frente a la criminalidad, sugiriendo que el castigo proporcional es, en sí mismo, una forma de conexión humanitária. El texto propone que el amor no es solo pasión, sino el esfuerzo por comprender al otro y pacificar los ánimos. Finalmente, concluye que el mayor acto de amor es la autopreservación: ser capaz de reconocer el error ajeno, juzgar en silencio y permitir que el otro siga su camino sin recurrir a la venganza ni al daño físico.

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Crônicas

Complexidade do simples

A crônica explora a intrigante ideia de que as ações mais simples são, frequentemente, as mais difíceis de executar. O autor utiliza o dilema das redes sociais como exemplo: embora a solução seja apenas desconectar-se, a dependência coletiva torna esse ato hercúleo. O texto discorre sobre como a sociedade utiliza a sofisticação e a complexidade como “fantasias” para esconder a ausência de conteúdo ou posses reais, criando um teatro de aparências. Ser simples em um mundo que exige intelectualidade performática é um ato de resistência que desnuda a ignorância alheia. Ao final, argumenta-se que a verdadeira virtude está em não ostentar o que se sabe, permitindo que a complexidade vazia se exponha ao próprio ridículo. A simplicidade, portanto, não é falta de algo, mas a presença de uma verdade que o mundo sofisticado teme encarar.

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