A Uff lançou em 2010 o concurso literário com o tema: 50 anos … e agora, em comemoração aos cinquenta anos da universidade. Elaborei este poema.

REVELAÇÃO

Tenho a declarar que do alto dos meus cinquenta anos

não tenho a mesma visão de antes:

                          fisicamente falando.

Algumas moscas volantes teimam em me perseguir,

                          mas não me trazem medo.

Se olho para trás enxergo bem mais longe.

                          Porque enxergo o que ninguém pode ver:

enxergo a mim mesmo.

Não sinto saudades, sinto orgulho.

Também não voltaria no tempo,

                          a minha tão fadada experiência poderia estragar tudo.

Porque não poderia rir da minha total falta de experiência.

                          E, portanto, não teria histórias engraçadas para contar.

Não teria decepções amorosas e não poderia lamentar as perdas

                          que me transformaram em um eterno apaixonado.

Não teria perdido a chance daquele emprego.

                          E, portanto, perderia o romantismo do que ele poderia ter sido.

                          Aonde eu teria chegado.

Não teria tido a família que tenho

                          e lamentaria perder tudo aquilo que realmente amo.

Não teria tido frustrações

                          e lamentaria não ter o que lamentar.

                          Passaria a lamentar as perfeições.

Do alto dos meus cinquenta anos tenho a declarar

que a minha visão não é a mesma de antes:

                         espiritualmente falando.

Acostumei-me, com naturalidade, a não aceitar a imortalidade.

                         Mas isso não me traz o medo.

Olho para frente e aprendi a enxergar mais longe,

                         porque enxergo o que muitos ainda não podem ver.

Aqueles que estão chegando não entenderiam.

De que viver é muito mais do que contar os anos.