Mais ou menos voltando à cortina do discurso, artigo anterior, este artigo trata, mais uma vez, dessa representação através das palavras, neste caso, o ódio, ou a invenção do ódio.

PARA QUE SERVE O DISCURSO DO ÓDIO

     A despeito de alguém vociferar em altos brados as suas posições políticas, não quer dizer, necessariamente, que se acredita nelas. Já explico: é uma questão de marketing. Há público para todos os discursos. Os colunistas da mídia impressa e eletrônica vão avidamente ao self-service dos assuntos para poder angariar claques.
     Recentemente, Noblat se voltou contra o discurso vociferante e raivoso, já característico, do deputado Jair Bolsonaro. Sua claque, em comentários, se voltou contra o próprio criador, o que me fez lembrar das palavras de Adorno e Horkheimer, in Dialética do esclarecimento, de que “quanto mais medonhas as acusações e as ameaças, quanto maior a fúria, mais compulsório o escárnio”. Até porque, em um determinado momento, o próprio discernimento nos faz perceber que se já está indo longe demais.
     Isso serve de ensinamento ou esclarecimento de alguns porta-vozes de discursos fascistas, que constroem seus discursos nas colunas de forma a desconstruir o fato. Recentemente, Reynaldo Azevedo, na tentativa de desconstruir o apoio do governo federal para uma solução hídrica para a crise em São Paulo, vociferou que não era um favor o que o governo fazia, que era uma obrigação, etc, etc.
     Pois bem, o discurso equilibrado volveria, naturalmente, a uma cortesia para os poderes institucionais que se interligariam para solucionar um problema de fato, que afeta uma grande parte da população do Brasil, portanto, uma solução pacífica e coerente, passada a refrega dos discursos duros da “eleição mais suja da História”.
     Mas, para não perder a claque e mantê-la sob rédea curta, garantia de um market share que rende audiência e emprego, o bom senso não prevaleceu, e prevalecendo, isto sim, o pensamento de Sartre de que em uma discussão onde o mal responde ao mal, o mal se instala, o colunista perpetua o mal.
     Em cada caso, em todos os casos, existem os dois lados, prevalência dialética na Filosofia. A questão é quando se escolhe o lado dos mocinhos ou dos bandidos, e neste caso, não é há nenhuma dificuldade em se entender onde está o Bem ou o Mal.
     Quem semeia vento, colhe tempestades.