Aonde nossos sonhos nos levam
Sonhos são caminhos para lugares desconhecidos. Todos eles são construídos dentro de um mundo mágico de encantamento e são trilhas que não têm obstáculos e, se aparecem, a própria imaginação trata de desconstruí-los. Portanto, sonhos são lugares perigosos e, ao mesmo tempo, fascinantes. Até mesmo os sonhos não são lugares de destino, eles são caminhos dourados, uma passarela onde desfilamos nossas futuras conquistas.
Os sonhos são os mesmos para todos, mas são diferentes nas distâncias. Alguns têm os sonhos muito próximos, muito íntimos, como se já fizessem parte da vida daqueles, e precisam apenas abrir as portas e a imaginação se torna realidade. É como quem se senta todos os dias para comer, sabendo que a mesa está ali a sua espera e o cansaço é apenas percorrer o caminho tranquilamente. Pode até mesmo protelar a refeição porque ela estará lá.
Para outros, o sonho é quimera. Ele é um monstro. Ele é maior do que a imaginação pode conceber e por isso assusta. Sonhos para alguns são lugares perigosos e persegui-los é uma aventura maior do que o prêmio ao final da trilha.
Enquanto os sonhos são para alguns uma caça fácil, para outros são perseguir animais selvagens e ariscos, são armadilhas ou uma queda de montanha, de uma pedra pontiaguda que ri daquele infeliz aventureiro que decidiu ultrapassar seus próprios limites ou muros intransponíveis.
Perseguir sonhos não é tarefa fácil. Principalmente quando se tem de competir com o oponente mais forte, que vem com todas as armas que a natureza e a condição social lhe deram.
A maior crueldade posta aos sonhadores não é o sofrimento que afeta alguns. Aquele que se arriscou a cair do penhasco olha para o seu passado, onde precisou superar obstáculos impossíveis, e o vê como um idílio romântico, e que ele sim seria um privilegiado e conseguiu porque mereceu. A crueldade está escondida quando não se contabiliza, no merecimento de alguns, a sorte daqueles que percorreram caminhos fáceis, favorecidos pela mesma sorte de nascer em berço nobre.
Os sonhadores podem se tornar cruéis quando vencedores e se acharem capazes de impor modos de vida incompatíveis com a realidade aos demais. Talvez, o maior dos sonhos, seria os vencedores reconhecerem de que ali chegaram porque se apoiaram nos ombros de outros, que foram dados como perdedores.
Malgrado os sonhos dos perdedores, que ficaram pelo caminho, vendo seus sonhos se dissolverem no ar, seus maiores pecados foram imaginar que se o sonho nasceu para todos, isso tornaria os seus sonhos um presente alcançável.
Quem sabe o tamanho dos sonhos não seja compatível com os limites de cada um? O que impede alguém de sonhar um sonho maior para si, se esse mesmo sonho é tão pequeno e comum para outros?
A razão dos sonhos não está em suas formações em nossa imaginação, eles existem porque são as extensões, são os elos que nos tiram da solidão.
Origem da foto: Foto de Andrea Zanenga na Unsplash
SUBSCREVA PARA RECEBER NOVOS POSTS
Views: 58
