Vitória da esperança
Um dos pensamentos de Hegel que mais me causa curiosidade é quando ele mais ou menos diz que o passado é algo distante, o presente o que nos acontece no momento e o futuro é uma ficção do espírito. E ainda arremata, dizendo que o segundo casamento é a vitória da esperança sobre a realidade; claro que ele não fará por menos quando for o terceiro ou o quarto.
Ironias à parte, acredito que as segundas tentativas, repetindo o mesmo procedimento, também cabem na vitória da esperança sobre a realidade, ou na persistência do teimoso torturando o seu tempo de vida para encarar sonhos irrealizáveis.
O que nos leva a pensar que construir o futuro é um ato meramente ficcional, tendo em vista que a realidade não vai querer se curvar a nossa esperança.
Repetimos os mesmos procedimentos porque no fundo acreditamos que seja a verdade única, não importa que todas as circunstâncias apontem o contrário. Repetimos os velhos erros porque acreditamos sim, nas nossas certezas.
Essas certezas nascem da preguiça em querer a reconstrução, de se abrir aos novos caminhos e, finalmente, não nos rendermos à realidade, deflagrando uma guerra contra o óbvio, apenas porque queremos que a realidade seja assim. A preguiça leva a reboque a nossa ignorância.
Ao longo da vida, temos todo direito de errar e nos arrepender, politicamente, socialmente, em todos os lugares ou situações. Mas existe uma hora em que isso tem que se tornar passado e, diante do presente, temos que construir o futuro que queremos, individualmente ou em sociedade. Porque o futuro que queremos não é ficção, ele pode se tornar real.
Existe um ponto na vida em que chegamos ao futuro, que é quando vamos gastar nosso passado, materialmente ou não e este será o nosso presente até o final. Nessa hora, caberia algum arrependimento, uma virada de opinião?
Atingir a velhice é um ato de dignidade. Portanto, seremos os eternos rancorosos, ditadores de moral e dos costumes? Ou seremos abertos ao mundo que sempre se renova?
Se já experimentamos tudo e elegemos nossas escolhas, chegando no limiar da curva seremos o fruto das nossas experiências vividas. E caso optemos pelo mundo rancoroso, é porque no fundo sempre fomos assim. E naquela realidade que não é mais ficção, o ponto de não retorno é daqueles que viveram a experiência e optaram pelo bem, logo, vão escolher o bem para todos. É como plantar uma árvore, mesmo sabendo que não colheremos os seus frutos, apenas retribuiremos as árvores que nos deixaram. Se optamoSUs pelo mal é porque alguma coisa de vingativo ficou em nós, e derrubaremos as árvores para que as gerações vindouras apenas as conheçam como fotografias.
O futuro pode ser uma ficção bem construída, proveniente de uma base decorrente da nossa experiência. Nosso legado é a expressão que em nosso passado houve uma alegria de viver. Quem escolhe na velhice a planta do mal como solução para o mundo, nunca verá a esperança vencer a realidade.
Origem da foto: Foto de Devon Divine na Unsplash
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