Um elefante no galho de uma árvore
Vamos imaginar que você venha caminhando por uma savana africana e visse, após contornar um imenso arbusto, um elefante em cima de uma árvore a contemplar a paisagem. Qual a reação que você teria? Possivelmente, muitas. Uma delas, com certeza, seria como aquele animal imenso subiu naquela árvore?
Mesmo que o elefante estivesse ali, contemplando a paisagem, quem sabe fazendo alguma reflexão sobre a sua vida passada ou pensando em projetos pessoais, o nosso questionamento principal ainda seria: elefantes sobem em árvores?
Se passarmos para a vida, algumas vezes nos perguntamos o que fazemos em algum lugar, ou então por que determinado sujeito está ocupando algum lugar, e questionamos o porquê de sua presença ali, baseado em méritos válidos ou duvidosos, talvez por achar que nós teríamos melhor capacidade do que ele.
O ser humano, quando questiona a ascensão do outro, como se o lugar de cada um fosse definido, estratificado, de cada macaco no seu galho, jamais a um elefante permitiria tal façanha: a posse do seu galho.
O mundo é tão aberto quanto uma savana africana, onde se pode fazer tudo o que se queira, mas alguns conseguem mais do que outros.
Precisamos, cada vez mais, nos acostumar com as estranhezas do mundo, que afinal não é estranho, estranho talvez seja o nosso olhar sobre as coisas. E se, ao dobrarmos o arbusto da savana, em vez da curiosidade, ou do preconceito, ao ver um elefante em posição tão inusitada, brincássemos e ríssemos por encontrar no mundo uma coisa adequadamente fora do lugar, ou do lugar que imaginamos pertencer somente a uns e outros; o mundo seria como um circo festivo, de onde da cortina ou da cartola do mágico pudéssemos extrair de tudo.
Um mundo arrumadinho é previsível para aqueles que pensam em dominá-lo ou, através de algum poder, estratificá-lo, defini-lo através de regras.
Um mundo sem as coisas preestabelecidas não é um mundo bagunçado. Pelo contrário, algumas pré-condições somente servem para torná-lo chato e previsível, as armas que a monotonia nos impõe para que nunca imaginemos que um elefante possa subir em árvores.
Os arranjos sociais não permitem que elefantes ou jabutis subam em árvores, até porque um jabuti, certamente, foi colocado lá, um elefante muito provavelmente não, pelo seu peso. Mas se chegou, chegou sozinho. Muitas vezes, ver alguém fora do seu ninho, a se aboletar no ninho que julgamos nosso, nos faz pensar que aquele alguém é um jabuti, que foi colocado ali, e negamos, por preconceito ou inveja. Talvez seja um elefante, que chegou lá sozinho.
Origem da foto: Gemini
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