Para quem eu escrevo?
Me fiz essa pergunta. Afinal, penso em algum tema, organizo como vou desenvolvê-lo e leio, releio três, quatro vezes. Fico me perguntando se não cometi algum erro na ortografia, na gramática… até mesmo na arte final e pergunto ao Word se tudo está ok. E pronto. Lá vai o texto para o arquivo na espera da melhor oportunidade de ser publicado na internet ou distribuído aos parceiros que me permitem divulgá-lo.
Quando menino, com o advento da televisão, ficava imaginando o que seria olhar para uma câmera, em um estúdio, falando e comentando, rindo, conversando com os milhares de telespectadores do outro lado. Assim mesmo com o rádio. Como é essa sensação de escrever para um vazio repleto de olhos e ouvidos, atentos ou não às palavras?
Escrever é como estar em uma ilha deserta, cercada pelas águas e pelo nada, escrevendo para si mesmo ou não.
Penso que escrever é uma espécie de pulsão que carrega nas tintas o que sentimos por dentro. Alguns são falastrões, alguns falam pelos cotovelos e alguns… escrevem.
Sinceramente, não sei responder a essa pergunta. Acho que o ato de escrever é uma relação de causa e efeito como o ato de ler, do leitor voraz que, invejoso de seu autor preferido, resolve escrever só para mostrar que ele sabe também.
Escrevedores nascem leitores, daquela ânsia de tentar fazer igual ou o diferente. Pensando nas diversas maneiras de dizer o mesmo, de um outro ponto de vista.
Se estivesse sozinho no universo, olhando para um céu vistoso e silencioso, com a exata noção de que a solidão era uma realidade, acho que escreveria o tempo todo, porque um escritor sempre tem a esperança de que seja lido algum dia… como se alguns anjos passassem recolhendo pelo universo os pedaços de lembranças que um escritor largou por aí, com essa mania de falar consigo mesmo. E não satisfeito com isso, conversando com a folha de papel.
Sim, acho que é isso: um escritor conversa com uma folha de papel, desafia as palavras, as encadeia, imaginando que outro, perdido em algum lugar solitário no espaço, também tenha suas folhas recolhidas por um ser angelical que as leve para algum arquivo celeste.
Quem sabe, lá, as palavras vão se encontrar e formar a grande consciência humana, demonstrando que as necessidades são as mesmas.
Por que eu escrevo? Acho que escrevo para mim mesmo, tentando desafogar e conversar com meu interior, com uma alma, sei lá, que insiste em me interrogar todo o tempo: no que você está pensando? Sei lá, em alguma coisa. Que tal escrever?
Origem da foto: Foto de Scott Graham na Unsplash
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