Metáfora da existência
O mundo gira em torno das mentiras que se contam e, quem sabe, a história do mundo, como o conhecemos, será alterada em função da falta de compromisso com a verdade. Cabe aos historiadores questionar a história, principalmente quando, à luz de novos documentos, a vida da humanidade toma outro rumo. Como vivemos em um mundo mentiroso, patrocinado pelos eventos que infestam a internet, a própria inteligência artificial, que é mais artificial no sentido de recontar as histórias, será o motor dessa metáfora que vai transformar nossa existência.
Uma metáfora é, antes de tudo, uma maneira de usar a palavra em seu outro sentido, seja poético ou não. Dizemos as coisas seguindo atalhos e vamos transformando a nossa passagem neste mundo, como em uma mentira, uma arte de contar bazófias.
A mentira nos leva por um caminho temeroso de recontar verdades, até porque é muito mais fácil acreditar nas coisas que imaginamos serem boas para nós do que enfrentar a dura realidade (não somos aquilo que construímos e mostramos nas redes sociais).
A coragem funciona como um motor que não engrena porque é muito difícil exibir nossas limitações e, portanto, a arte de contar o que não somos se torna uma realidade constante. Estamos escondidos atrás das telas iluminadas dos computadores e, paradoxalmente, essa luz nos ilumina, mas não o caminho que devemos seguir. Em realidade, escrevemos para nós mesmos, contra inimigos que não teríamos coragem de encarar e, por isso, contar bazófias se transformou em arte e não em falta de caráter e covardia.
Poucos têm a coragem de admitir suas falhas e a temeridade de não contestar o que está errado, flagrantemente. Como é a sensação de calar-se diante do descalabro, dos juízes de plantão na internet prontos para julgar o que não conhecem e realizar linchamentos virtuais antes de se conhecer a verdade?
A metáfora da existência está entre aqueles que se julgam acima do bem e do mal, porque têm acesso a um teclado ou a um telefone que lhes propiciam a oportunidade de julgar o outro, sem antes julgar a si mesmos.
A arte de bazofiar cria a metáfora da existência quando a mentira se torna uma necessidade de sobrevivência. Os filtros funcionam como uma peneira de realidade, exibindo aquilo que se gostaria de ser e ter, antes de lutar, realmente, para conseguir a posse daquilo que julgamos ser nosso.
A metáfora da nossa existência se alimenta das próprias mentiras que contamos, e não admitir a derrota ou o desconhecimento é o que move as nossas conversas, onde contamos aquilo que desejamos ser como se fosse possível conseguir tudo o que se quer
Nos jactamos da nossa ignorância como se ela fosse uma dádiva divina e nos apoiamos em argumentos fúteis e sem sentido, como se eles fossem o suprassumo da inteligência.
Somos e estamos construindo um mundo inexistente e impossível de sobreviver e seremos uma metáfora e uma realidade que nunca existiram.
Origem da foto: Foto de Anne Nygård na Unsplash
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