Frontão de sonhos
Vocês sabem o que é um frontão? Pois bem, na arquitetura, frontão é aquele ápice da construção como se fosse um triângulo, com o vértice apontando para o céu. Ele pode significar o final da obra, um marco na construção ou uma espécie de troféu erguido ao final de meses e meses de trabalho.
Em edifícios seculares, o frontão aparece como um dedo apontando para o céu, significando, na visão barroca, o homem diante de Deus. Para os arquitetos soa como um desafio que foi alcançado: tudo bem, pura metáfora.
No meio do burburinho das grandes cidades, dessas com uma história secular, com edifícios que contam a sua passagem pelo tempo, nossos olhares se elevam buscando o antigo no meio do moderno abundante de vidros e fachadas exuberantes. Nossos olhares deveriam buscar esses pequenos monumentos, testemunhas da história, frontões do passado, e tentar um reencontro com ela. Ícones para alguns, coisa desnecessária para outros, esses prédios são os frontões que resistem à insana busca por espaço e exploração imobiliária.
São eles sempre necessitados de uma reforma que mantenha o conteúdo original, e são símbolos entre os conservacionistas e os modernistas, disfarçados de modernos, mas cheios de cobiça porque enxergam outros frontões como um bolso cheio de dinheiro. Alguns questionam suas manutenções, mas como compreender a história sendo preservada ao vivo e a cores, embora esmaecidas? A história não é algo colado em nossa memória, ainda que existam alguns que a vejam como lugar de aprendizagem e não como uma miragem para ser recontada. Preservar a história é preservar um tempo que, estudado a fundo, tem muito a proporcionar, sejam histórias tristes ou não.
Mas sendo o ponto culminante de uma realização, devemos pensar que as nossas vidas, se cheias de conquistas, apresentam frontões invisíveis. Aquele emprego tão desejado, rumo ao ápice da carreira, a nova casa, agora construída com todos os apetrechos desejados e o encontro com o príncipe ou princesa que vão nos encantar, e, claro, com o advento dos filhos e sua criação, o ápice de um amor.
Os frontões estão também no mundo sonhado que vamos construindo ao longo do tempo, ultrapassando obstáculos, enfrentando preconceitos e encarando os estudos como forma de desabrochar nossas ambições. Todos os frontões do mundo físico começam com os sonhos e com a imaginação.
Mesmo não sendo de materiais duráveis e permanentes no tempo, os sonhos podem se tornar ápices sólidos ou que se desfazem, diante de um projeto malsucedido. Vê-los caídos por terra são como construções malfeitas que se desfazem com o tempo.
Frontões são baluartes dos nossos desejos, são lanças que enviamos para o futuro na espera de que tragam bons frutos. Podem se desmoronar, mas a nossa perseverança em continuar e resistir talvez seja o frontão que nunca devamos abandonar. Desejos, esperança e disciplina são os frontões que levam nossas vidas adiante.
Origem da foto: Foto de Karsten Winegeart na Unsplash
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