Sobre raios que caem
Diz-se que raios não caem nos mesmos lugares duas vezes; talvez porque caiam três vezes ou mais. Mas se alguma coisa acontece uma vez, temos a esperança de que ela, no caso de algo ruim, não ocorra novamente. Quando acontece, devemos pensar que a terceira ou a quarta é uma possibilidade; é claro, sendo algo bom, por que não?
Malgrado toda a experiência de vida que temos, repetimos algumas vezes os mesmos erros, na esperança de que o raio não atinja nossos projetos e, no final das contas, nós possamos chegar aos nossos objetivos, passando incólumes pelas tempestades.
Não devemos nos iludir, no entanto, de que o universo conspira a nosso favor ou contra nós. Na verdade, ele conspira contra todos nós e contra os nossos projetos. E por que isso? Simples, o universo não é um ente colossal que esteja, minimamente, preocupado com nossos projetos; e nós nos julgamos tão superiores, ou companheiros, que pensamos assim. Logo, por uma questão de lógica, ele não conspira nem contra nem a favor, até porque ele não é um ente, como eu falei, não passa de uma representação, alguém para culpar os nossos fracassos ou celebrar nossas vitórias.
Bolas, então por que cargas d’água aquilo que eu programo não dá certo, nem uma, nem duas, nem vezes nenhuma? Primeiro, porque esse projeto deva ser uma coisa tão louca que em nenhum universo possa ter algum sucesso, ou então a própria impossibilidade do projeto conspira contra você.
Bem, a partir daí, podemos concluir que somente a sua grande e extrema força de vontade seja capaz de levá-lo adiante. E a única maneira do seu projeto dar certo é que ele seja tão bom que independa da sua vontade, ou então a sua força de vontade seja tão grande que ninguém mais te suporte e a conclusão é deixá-lo acontecer.
Claro, é uma brincadeira, mas os raios caem sim algumas vezes nos mesmos lugares, basta ficar em uma praia deserta, no meio de uma tempestade, que o problema acontecerá. Talvez, com você uma única vez, e, provavelmente, com o próximo teimoso que se apresentar para comprovar a tese.
O importante é que fazer projetos de vida faz parte da procura que todos fazem em busca do seu lugar no mundo. Viemos para fazer a diferença, porque somos diferentes dos outros seres que têm como única função no mundo serem o que são. E nada mais além disso.
Ao contrário dos outros seres, é duro, para nós, achar o nosso lugar quando temos a noção exata de que tudo vai acabar e não encontraremos esse lugar em lugar algum. Portanto, entre raios e tempestades, mesmo que a possibilidade de que elas caiam nos mesmos lugares seja um sinal de que devemos procurar, obstinadamente, com ganas e vontades, fazer dos nossos projetos algo grandioso, mesmo que sejam grandes somente para nós mesmos.
O nosso lugar é realizar coisas e seguir a vida em frente. E, ao contrário dos outros seres vivos, fugir dos lugares onde os raios caiam e poder fazer e ser o que somos.
Origem da foto: Foto de Damien Modolo na Unsplash
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