Crônicas

Eficiência

          Você é uma pessoa eficiente, daquelas que faz tudo certinho, executa com perfeição as ordens que recebe? Muito bem. Com certeza, você é muito elogiado ou elogiada no trabalho, pela família, amigos e com quem mais você mostra a sua eficiência.
        Até que ponto ser eficiente, para os outros, traz satisfações para você? Como você se sente sendo lembrado, pelos outros, o quanto da sua eficiência? O que a sua eficiência trouxe, efetivamente, para você? Algum benefício?
           Pois é, o mundo exige, cada vez mais, aqueles que vestem a camisa dos outros, trabalham em equipe para outros e sempre dirigem um tipo de eficiência servil. O mercado de trabalho busca as pessoas dedicadas ao trabalho de alguém. E, muitas vezes, quando precisamos dessa eficiência para nosso proveito pessoal, ela não dá certo.
          Damos tanto do nosso tempo para o trabalho, para prover nosso sustento, conseguir dinheiro para poder realizar sonhos, que nunca questionamos essa falta de eficiência em prol de nós mesmos.
          Portanto, vamos inverter a questão e perguntar o quanto o mundo é eficiente para nós, o quanto as coisas são facilitadas para o nosso proveito. A tecnologia é eficiente para nós, ela atende às nossas necessidades reais ou, de fato, essa “necessidade” é algo criado para mostrar uma eficiência completamente desnecessária?
           Estamos tão envolvidos com problemas do cotidiano que não pensamos em nós, naquilo que realmente desejamos. E pergunta-se: o que, realmente, nós desejamos? Isso é ser eficiente. Fazer perguntas, questionar, argumentar, nos colocar frente a frente. E buscar soluções.
          As soluções nem sempre estão de acordo com a eficiência que damos para os outros. As soluções deveriam ser eficientes para aquilo que desejamos. Temos o nosso trabalho, precisamos dele e devemos mostrar o quanto eficientes nós somos, esse é um ponto. E quanto a nós mesmos?
         Eficiência é produzir algo real, e não executar um serviço para alguém, que nem sempre vemos o resultado final. Você sente sua eficiência quando recebe uma resposta adequada ao seu esforço na execução de um projeto de vida. O mercado de trabalho nos pede trabalhos efetivos e eficientes, e a nossa vida grita para, efetivamente, sermos eficientes na busca de melhorá-la. Alguns dizem que o eficiente é aquele que executa seu serviço com rapidez, outros pela precisão, outros pela qualidade. Você faz isso para construir o seu futuro?
          Você precisa produzir, na sua vida, algo real e útil para que o serviço do cliente seja o seu próprio sorriso? Então, para quem serve essa eficiência para você, pessoalmente?
        Ser eficiente nem sempre é a execução de uma tarefa. Ser eficiente pode ser olhar mais para os lados, ficar um tempo pensando sobre si mesmo e dando um tempo maior para que o corpo saboreie mais a vida, com suavidade. A eficiência nem sempre é esse jeito de ser eficaz. Porque eficaz, mesmo, é encarar os problemas, e ser eficiente mesmo é não tentar criar um problema insolúvel buscando uma eficiência, que nenhuma eficiência pode dar jeito depois.

Origem da foto: Foto de Wes Hicks na Unsplash

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Nilson Lattari

Nilson Lattari é carioca, escritor, graduado em Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e com especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Gosta de escrever, principalmente, crônicas e artigos sobre comportamentos humanos, políticos ou sociais. É detentor de vários prêmios em Literatura

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