Buscar o conhecimento
Recentemente, um estudo de que, supostamente, nossas crianças e jovens estariam perdendo seu grau de conhecimento em relação aos seus pais, decorrente das enormes facilidades que as Inteligências Artificiais estão proporcionando ao mundo. O que antes era extremamente trabalhoso, como a pesquisa em livros nas bibliotecas, está apenas um toque adiante, quando perguntamos ao Google em busca de respostas prontas.
É irônico saber que o nosso conhecimento alcançou um patamar tecnológico que faz desse aliado um inimigo. Hoje, não saber de uma notícia recente traz, para algumas pessoas, a sensação de perda de tempo. Afinal, esse alguém ficou defasado alguns minutos ou poucas horas em relação ao mundo.
Esse conhecimento negligencia o melhor dos conhecimentos que é conhecer a si mesmo, independentemente de conhecer todas as vantagens que o mundo dos gadgets nos oferece. Há uma geração intermediária, que hoje já está na faixa de sessenta anos ou mais, que transitou entre os dois mundos e alguns deles ainda resistem em entregar toda a sua vida cotidiana aos componentes eletrônicos.
É claro que no meio desse “conhecimento” nasce um tipo de conhecimento preguiçoso, oriundo das notícias do whatsapp, onde “especialistas” em todos os assuntos ousam argumentar, baseados em estudos rasos como um pires, o que não lhes causam constrangimentos, porque, nesse ponto, o constrangimento ao ser confrontado é uma inércia mental, um sorriso entre dentes, uma certa amargura de ser contestado e, mesmo assim, ignorar tudo, porque o senso crítico, que leva ao conhecimento interno, não existe.
Ninguém gosta de ser contestado e nunca vai admitir o seu erro, princípio básico para atingir o autoconhecimento.
Mais do que conhecer de tudo, é conhecer a si mesmo, compreender suas limitações e buscar, a todo momento, saber que rumo tomar e ter a ideia plena de que tem autonomia sobre seu próprio corpo e mente, atributo principal para receber o conhecimento; ter uma mente aberta para o mundo.
Quando alguém recusa a contestação, abre internamente as portas ao preconceito e ao desrespeito ético em relação ao outro e, consequentemente, abandona a empatia, a principal coluna da convivência entre seres.
Se eu não contesto minhas formas de pensar e não costumo reconsiderar minhas ideias, fecho as portas, como lacrações, para mudar de opinião e se encontrar comigo mesmo.
O autoconhecimento, duvidar sempre daquilo que construímos em nossos interiores e buscar as fontes e os melhores pensadores formam a base para um conhecimento pleno que não tem fim. Ele sempre começa e recomeça, e assim revigoramos o mundo e a nós mesmos.
Origem da foto: Foto de Jaredd Craig na Unsplash
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