Bem-estar online
Estar online não quer dizer, necessariamente, estar antenado com tudo o que acontece. Seria uma maneira de perguntar se uma avalanche de informações faz bem ao nosso bem-estar mental. No início e meados do século passado, uma tragédia que ocorria do outro lado do mundo chegava até nós como algo muito distante. Servia não só para nos compadecer daqueles que sofreram com ela, assim como para que pudéssemos atenuar a gravidade do acontecimento. Afinal, algo longe dos olhos não afeta tanto o coração.
A guerra do Iraque foi a primeira guerra transmitida ao vivo para o mundo. Vendo as imagens e as iluminações e estrondos causados pelas bombas, alertou a humanidade da guerra em si mesmo, e como ela transforma vidas, nações e nos faz pensar que aqueles que lutam contra os países que querem dominar o mundo têm as suas razões para manter uma luta contra a dominação deles.
A nossa opinião off-line sobre os povos atacados, diante da visão online dos fatos, mudou nossa perspectiva diante do que acontece com o mundo.
As notícias nos sufocam e nossos dedos rolando a tela de um celular ou computador não nos deixam parar para pensar e entender cada acontecimento no mundo. Esse acompanhamento quase obrigatório das notícias do mundo nos estressa e uma confusão mental nos assola: afinal, podemos ter uma saúde mental viável diante da realidade tão crua e mostrada sem atenuantes?
Podemos dizer que vivíamos em um mundo de fantasias, diante de tanta realidade que nos atormenta. Dá para ter medo do futuro, se podemos imaginar que haverá futuro.
Antes buscávamos a informação para entender o mundo. Hoje devemos pensar seriamente em uma desintoxicação digital para continuar sobrevivendo. Nossa busca hoje é tentar encontrar um equilíbrio entre o excesso de informações e nossa saúde, como uma espécie de dieta digital diante dos fatos.
Assim como os vícios das apostas e das teorias da conspiração no Whatsapp, o controle sobre as nossas emoções se torna vital para entender que o mundo não se resume às notícias embutidas de mentiras e fake news. Há uma fábrica de “conhecimentos” que nada tem a ver com o conhecimento geral e universal. Frequentemente, aqueles que tentam preservar a saúde mental vão checar as informações para saber se o que até então conhecíamos tem um fundo de verdade.
Pouco lemos, e se lemos é através do mundo digital que estudamos. As IAs consomem as próprias informações que fornecemos, nos levando para um buraco da ignorância cada vez mais profundo. Vivemos a pós-verdade, aquela verdade universalmente aceita, patrocinada por uma sucessão de coberturas mentirosas que chegamos a duvidar dos nossos próprios pensamentos.
Nosso bem-estar online depende de ignorar aqueles que tentam confundir a história, vivendo em um mundo paralelo, digno da ficção científica que nos deleitava nos cinemas, imaginando um mundo futuro pleno de real bem-estar. Não conseguimos, resta-nos resistir e preservar nossa saúde com um detox digital, pílulas de paciência e ver no que vai dar esse mundo.
Origem da foto: Foto de Yannic Läderach na Unsplash
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