Crônicas

Afinal, qual o seu lado?

          Nos tempos modernos, de total radicalização, as divergências se baseiam, teoricamente,  na escolha de dois lados em qual lado alguém está. Da mesma forma que defendemos o direito de alguém dizer o que pensa, devemos respeitar o direito de alguém que não quer dizer nada. Simples, mas um tanto confuso. Parece?
          Podemos discordar, dentro de uma miríade de pensamentos, assim como as cores em suas nuances de brilho, nitidez e outras coisas mais. De certa maneira, existe uma cor para todo mundo e até mesmo alguém que procura uma ideologia ou religião para chamar de sua.
         Ainda não é tão simples. É possível que tudo se afunile e só existam dois caminhos a seguir? Ou há outros caminhos, ou até mesmo alguém prefira sentar à beira do caminho vendo a banda passar.
        E quando há dois caminhos, seguimos o nosso caminho ou seguimos o caminho que alguém nos convenceu, ou nos convenceu porque nossos interesses pessoais e espirituais se encaixam, mesmo que parcialmente?
          Não, não dá para simplificar as coisas, pão pão, queijo queijo.
       Imaginemos um mundo binário, onde não haja opções. Um mundo simplificado, que não abre concessões nem admite que se tenham escolhas. Uma ditadura de pensamento pode ser a conclusão.
         Isso quer dizer que a humanidade não tem jeito, todos brigarão o tempo todo e não chegarão a nenhum lugar. Sim, se tomarmos a discussão de um ângulo simplista e cômodo.
       Alguns exibem a Bíblia, outros a Constituição. Em uma, as coisas do Divino, na outra as coisas de César. Qual seguir? Uma se sobrepõe à outra? Tem fundamento alguém dizer que o que está nos versículos e parábolas de um livro, por mais antigo que seja, possa conter a fórmula do bem viver? E quem não crê? Onde ficam?
       Da mesma maneira que alguém segue a Constituição e, portanto, as coisas de César, julga que está no caminho correto, outro dirá que o que está na Bíblia e, portanto, as coisas de Deus também considera o seu caminho correto. Tem valor um querer sobrepor ao outro o que deva ser o caminho correto?
        Há uma maneira de a humanidade encontrar um caminho comum, um ponto de partida do pensamento que una os povos? Creio que nas duas obras exista o mesmo caminho: amar ao próximo como a ti mesmo, e todos são iguais perante a lei.
        De todas as discordâncias, nenhuma delas tem a possibilidade de juntar pessoas. No entanto, quando escolhemos o caminho do respeito ao próximo, suas opiniões, modos de vida, maneiras de se comportar, o ponto de partida comum é o humanismo. Logo, tudo aquilo que foge a esse consenso não faz parte do jogo e, portanto, não está em nenhum dos dois lados. Quando o mal se posiciona em algum lado, mesmo vestindo as vestes da verdade, a ordem é golpear junto e marchar separados depois.

Origem da foto: Foto de Jon Tyson na Unsplash

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Nilson Lattari

Nilson Lattari é carioca, escritor, graduado em Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e com especialização em Estudos Literários pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Gosta de escrever, principalmente, crônicas e artigos sobre comportamentos humanos, políticos ou sociais. É detentor de vários prêmios em Literatura

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