A alma e o amor
Duas palavras começando iguais, desde o começo. Como um alfabeto que começa e recomeça, interminável. Se o amor é volátil, fugaz, uma tênue fumaça que pode se esvair a qualquer momento, ao sabor do vento e dos humores, a alma, também, segue o mesmo rumo. Os dois existem e existem na imaginação. Podemos sentir os dois? É possível. O amor é um sentimento que nos corrói por dentro, deturpa nossa mente e nos atira em um mundo imaginário, como se tudo ao redor não existisse. A alma seria algo que nós temos dentro, forma nossa mente e vive, também, em um mundo imaginário.
O amor está na realidade e transforma o mundo onde vivemos, nos faz pensar ser únicos. Algo que sentimos e que ouvimos falar em livros, romances, entre amigos, quando contam seus afetos. A alma está na nossa realidade, porque falamos dela, e dizemos que a temos dentro de nós, igualzinho ao amor. Não tê-los é como se faltasse alguma coisa para viver. São, cada um nas suas perspectivas, imprescindíveis na nossa vida.
Como os dois, nós não os possuímos e não temos controle sobre eles. Mas os sentimos quando nosso amor se vai e o corpo fica abandonado ao final da vida.
Há pessoas sem amor, que não são capazes de sentir o amor pelo outro e, supostamente, têm alma. Mas não são capazes de senti-la ou acreditar na sua existência.
O amor é capaz de amolecer nosso corpo e torná-lo vulnerável e a alma nos mantém vivos, nos engrandece e nos faz seguir adiante.
São dois companheiros inseparáveis, que alguns tentam mostrar força para dizer que são fortes porque não deixam que eles os dominem. São sufocados por uma abstinência de humanidade, e a humanidade não pode sobreviver sem eles. São eles que movimentam a ciência, as ajudas humanitárias e tentam tornar o mundo melhor. Quando funcionam juntos têm o nome de paixão. Paixão pela causa, paixão pela vida e paixão por si mesmo.
O amor só se completa quando duas almas se encontram. E são capazes de se fundir fazendo com que o amor seja uma alma única unindo dois corpos distantes. As almas se atraem para que o amor se consuma. E isso faz com que eles sejam os companheiros inseparáveis.
As almas solitárias se encontram para realizar a fusão chamada amor. Por isso são o início de um dicionário amoroso. A alma vem primeiro, porque é o corpo onde o amor, que vem em segundo, possa encontrar o pouso perfeito. As almas são capazes de amar muitas vezes, porque a fumaça, a nuvem que as compõem modificam sua forma ao sabor das aventuras amorosas.
As almas se apaixonam muitas vezes porque o amor está dentro delas. O amor não tem identidade, não tem compromisso. O amor se compromete com a paixão e a alma se recompõe quando o amor não está mais funcionando.
Quando duas almas se completam, se encontram, sintonizam seus sentimentos, o amor se abandona e se recusa a procurar outro pouso. Duas almas juntas são só uma e não há mais necessidade do amor procurar seu par.
Origem da foto: Foto de Marek Studzinski na Unsplash
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