TUDO PELA AUDIÊNCIA: CHARLIE, GENTILI E SHERAZADE

     Há um definitivo encontro entre as afirmações, sobre não ser Charlie, reproduzido no blog do teólogo Leonardo Boff, Gentili, com a manipulação que foi feita de uma blogueira feminista, Lola Aronovich, professora universitária da Universidade Federal do Ceará, e as declarações de Raquel Sherazade, sobre a comparação entre os esquerdistas e os terroristas: a audiência.
     Nos mesmos moldes de Tudo pela Audiência, as críticas da revista francesa, tendo como único motivo a desconstrução de uma religião, visam a vender alguma coisa para um público definido. Gentili, ao manipular um cartaz que a professora portava, busca humor onde não existe, e neste caso inventa-se, creditando ao humor uma isenção onde também não existe e Sherazade, em busca de cativar seu público, sedento de ideias justiceiras nas sociedades, figuram no mesmo patamar.
     Com o intuito de municiar os sem-verbos, uma expressão que eu cunhei em artigos publicados no Observatório da Imprensa, determinados personagens da mídia buscam cada vez mais o espaço pela audiência, dando discurso e verbo para um público que sente dentro do coração o sentimento separatista, xenófobo e nazista e buscam personagens que os representem, e ao mesmo tempo lhes dão visibilidade e celebridade.
     Não vou questionar as razões de Eu não sou Charlie (há muito esgotadas na internet), mas, as razões de Gentili e Sherazade são comparáveis porque provocam manifestações baseadas na mentira e na difamação e propagação de ideias nazistas, e se surpreendem com as reações, e posam de inocentes ao fingir ignorar que as suas falas não contém um fator agressivo e desnecessário, mas, certamente, têm objetivos claramente definidos: cunhar um market share. São celebridades de oportunidades – uma determinada fatia do mercado quer, eles ocupam.
     Determinados veículos da mídia, considerando que se acham donos dessa verdade, e alegando a indiscutível, ou discutível, liberdade de expressão se julgam imunes, e indignados com a reação (que é isso, gente, eu sou a Globo, o Estadão, a Folha, eu sou a Veja!), vivendo todos num país do “sabe com quem está falando?”.
     O problema é que a audiência, com a sua força, que está mostrando o seu lado, também se apropria do mesmo discurso.
     Em Tudo pela Audiência, deve-se colocar a cara a tapa, tanto para aplausos, vaias, ou reações na mesma magnitude, e conviver com as consequências.