NO MELHOR ESTILO DA ONDA – O FILME

     O recente episódio acontecido no programa de Jô Soares, onde um jovem, aparentando vinte e poucos anos, levantou na plateia a voz para defender o pensamento do deputado Jair Bolsonaro,  é um motivo para pensar.
     Não seria nada de mais uma defesa para qualquer que seja o pensamento. O estranho é ter partido de um jovem, juventude na qual o país deposita todas as suas esperanças. Recentemente, eu “perdi”, uma amizade no facebook, de uma também jovem que se autointitulava uma reacionária.
     A pergunta que eu fazia era se ela tinha alguma ideia do que era viver em um estado totalitário, onde as vontades são superadas pela truculência e a intimidação? Não houve respostas, apenas o desaparecimento.
     Que falta faz ler a História, ler os pensamentos da Sociologia, onde estudiosos se debruçam e tentam desvendar os enigmas da sociedade, e, sobretudo, aprender e tentar fórmulas para o não desenvolvimento das mazelas que a História nos legou.
     Não basta um povo conhecer a sua História para não repeti-la. Mas, infelizmente, esse mesmo povo, na tentativa de não copiar a História tende a repeti-la, dessa vez de formas diferentes.
     Nestes entremeios, figuras absurdas e como saídas da noite propagam um discurso de separações, sempre usando as roupas escuras, cabelos bem penteados, formais mesmo em condições de lazer, agressivas enchendo um discurso vazio de sentimentos e relações com o próximo.
     Lembro o filme A onda, onde um professor tenta demonstrar como uma sociedade se endurece na relação com o próximo. O principal é o personagem do pior aluno da sala, que se vê frustrado com a dissolução do sistema, onde a sua estupidez ficava escondida na figura do “protetor” daquela sociedade.
     Como o pior aluno da sala, a figura do garoto do Jô (a própria ausência do nome, prefigura  a perda da identidade), as defesas que jovens fazem dessa apologia nos mostra, na prática, como o nazismo se desenvolveu. O ovo da serpente estaria entre nós?